segunda-feira,
26 de janeiro de 2026

Brasil se prepara para tarifas dos EUA com exportações industriais em nível recorde

Exportações de itens industriais do Brasil para os EUA bateram recorde este ano, somando US$ 16 bilhões

A iminente tarifa de 50% anunciada pelo ex-presidente Donald Trump, programada para entrar em vigor em 1º de agosto, ameaça não apenas o agronegócio brasileiro, mas também suas florescentes exportações industriais para os Estados Unidos. 

Dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA, da Amcham, revelam que as exportações industriais brasileiras para os EUA atingiram um recorde de US$ 16 bilhões no primeiro semestre, um aumento de 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Diante disso, o governo brasileiro corre para elaborar uma estratégia de resposta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, na noite de domingo, uma reunião de emergência, fora da agenda oficial, para discutir o assunto. 

Para o encontro, ele chamou o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, e técnicos do Ministério da Fazenda.

Mais cedo, Alckmin havia afirmado que o governo editará, até terça-feira, o decreto que regulamenta a Lei de Reciprocidade Econômica.

Essa lei permitiria ao Brasil retaliar as tarifas de Trump, impondo tributos ou restrições às importações americanas, suspendendo concessões comerciais e de investimentos, e até mesmo direitos de propriedade intelectual. 

No entanto, Alckmin ressaltou que o Planalto ainda trabalha para reverter a tarifa por meio de canais diplomáticos.

EUA e o destino da Indústria Brasileira

O resultado do primeiro semestre consolida a posição dos EUA como o principal destino das exportações da indústria nacional, representando 12,4% do total. O mercado americano comprou mais itens industriais do Brasil neste ano do que o Mercosul (US$ 11,5 bilhões), a União Europeia (US$ 10,8 bilhões) e até mesmo a China (US$ 9,7 bilhões).

Apesar do aumento das exportações para os EUA, o setor industrial brasileiro continua deficitário no comércio bilateral, com um total de US$ 3,7 bilhões — um aumento de 55,6% em relação ao primeiro semestre de 2024.

A participação da indústria na pauta exportadora para os EUA cresceu de 76,6% para 79,8% no primeiro semestre de 2025, impulsionada principalmente por bens da agroindústria.

O comércio bilateral entre os dois países, considerando todos os setores, alcançou US$ 41,7 bilhões este ano, um aumento de 7,7% em relação a 2024. Este é o segundo maior valor da série histórica e manteve os EUA como o segundo maior parceiro comercial do Brasil em bens.

As exportações do Brasil para os EUA totalizaram US$ 20 bilhões no período, um aumento de 4,4% na comparação anual, enquanto as importações de produtos brasileiros pelos americanos somaram US$ 21,7 bilhões, um aumento de 11,5%. 

Com isso, o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 1,7 bilhão com os EUA no primeiro semestre.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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