A maior parte dos brasileiros ainda vê como um privilégio receber um salário mínimo acima da média nacional, embora haja um estado onde essa realidade já se concretizou.
Enquanto o salário federal permanece abaixo de R$ 1.600, uma nova legislação sancionada assegurou um aumento que ultrapassa a marca de R$ 2.000 para certas categorias de trabalhadores.
Essa iniciativa visa valorizar as profissões e se adequar ao custo de vida regional, que é mais elevado em comparação com outras áreas do Brasil.
Esse contraste é possibilitado pela legislação brasileira, que faculta aos estados implementarem um piso salarial regional, adaptando-o às condições econômicas locais.
Assim, trabalhadores de setores específicos podem desfrutar de salários superiores ao mínimo nacional, o que representa um avanço significativo em termos de reconhecimento profissional e rendimentos.
Salário acima de R$ 2 mil
Em junho deste ano, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, promulgou a Lei nº 16.311, que instituiu um acréscimo de 8% no piso regional do estado. Essa legislação entrou em vigor de imediato, promovendo um aumento nos salários de diversas categorias, principalmente aquelas sem acordos ou convenções coletivas.
Com as novas diretrizes, o piso regional do Rio Grande do Sul agora apresenta cinco faixas salariais, variando conforme a ocupação do trabalhador. Em certas circunstâncias, os valores superam os R$ 2 mil, colocando o estado entre os poucos do país a oferecer remunerações básicas nesse patamar.
A seguir, os novos valores do piso regional após a aprovação da legislação:
- Faixa 1: de R$ 1.656,51 para R$ 1.789,04 — abrange setores como agricultura, pecuária, pesca, indústria extrativa, serviços domésticos, construção civil, turismo, motoboys e outros.
- Faixa 2: de R$ 1.694,66 para R$ 1.830,23 — inclui profissionais da indústria têxtil, de calçados, vestuário e saúde, além de trabalhadores de limpeza, hotéis, bares e restaurantes.
- Faixa 3: de R$ 1.733,10 para R$ 1.871,75 — destinada a empregados nas indústrias alimentícias, de móveis, química, farmacêutica e comércio em geral.
- Faixa 4: de R$ 1.801,55 para R$ 1.945,67 — abrange categorias da indústria metalúrgica, gráfica, de vidro e borracha, além de vigilantes, zeladores e auxiliares escolares.
- Faixa 5: de R$ 2.099,27 para R$ 2.267,21 — destinada a técnicos de nível médio, representando a maior faixa do piso regional.
Esses valores são aplicáveis a trabalhadores sem acordos coletivos que estipulem salários diferentes, assim como a profissionais do setor informal.
O governo estadual afirma que essa medida é uma tentativa de corrigir desigualdades e fortalecer o poder aquisitivo dos gaúchos, especialmente em face do aumento do custo de vida e da inflação acumulada nos últimos anos.