quarta-feira,
7 de janeiro de 2026

Posso me basear no CNIS para solicitar a aposentadoria?

O Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) é o documento mais importante do INSS

O planejamento para a aposentadoria vai muito além de completar a idade mínima ou o tempo de contribuição. 

O primeiro passo, e talvez o mais crucial, é a análise do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). Este extrato funciona como um banco de dados que resume toda a vida laboral do cidadão: vínculos de emprego, datas de entrada e saída, salários de contribuição e períodos de auxílio-doença.

Especialistas alertam: basear-se cegamente no CNIS sem conferir os dados é um risco. Como o sistema do INSS é alimentado por informações de empresas e guias de recolhimento, falhas no preenchimento desses dados são comuns e podem causar prejuízos irreversíveis se não corrigidas a tempo.

5 erros mais comuns que diminuem o benefício

A falta de monitoramento do extrato pode esconder armadilhas que impactam diretamente o cálculo da aposentadoria:

  1. Vínculos sem data de término: É comum que empresas deem baixa na carteira, mas não informem o fim do contrato ao sistema do governo. Sem a “Data Fim”, o INSS pode desconsiderar todo aquele período de trabalho.
  2. Ausência de vínculos (Omissão): Períodos trabalhados que simplesmente não aparecem no cadastro. Isso ocorre por falha no envio de dados pelo empregador ou erros no CPF/PIS do trabalhador.
  3. Vínculos Fracionados: Quando um único emprego aparece dividido em vários registros devido a fusões de empresas ou mudanças de CNPJ, o que pode confundir a contagem do tempo total.
  4. Salários de contribuição zerados ou ausentes: Se o valor da remuneração não consta no sistema, o INSS tende a calcular aquele mês com base no salário-mínimo, puxando a média da aposentadoria para baixo.
  5. Valores Incorretos: Quando o recolhimento feito pela empresa é inferior ao salário real recebido pelo funcionário.

Antecipação é o melhor remédio

Um erro comum entre os segurados é esperar o momento da aposentadoria para “arrumar a casa”. A legislação permite a Atualização de Tempo de Contribuição a qualquer momento.

Corrigir um vínculo de 10 ou 20 anos atrás é muito mais simples enquanto a empresa ainda existe ou enquanto o trabalhador possui documentos guardados (contratos, holerites, termos de rescisão). Esperar décadas pode dificultar a obtenção de provas documentais.

Guarde sempre suas Carteiras de Trabalho (físicas e digitais) e carnês de contribuição. Eles são os principais instrumentos para contestar um CNIS incompleto.

Como agir em caso de irregularidades?

Caso identifique inconsistências, o trabalhador não precisa sair de casa para iniciar a correção:

  • Pelo Meu INSS: Utilize o serviço “Atualização de Tempo de Contribuição”. É necessário anexar documentos que comprovem o erro (como a cópia da CTPS ou contracheques).
  • Via Judicial: Se o INSS negar a retificação administrativa mesmo com provas apresentadas, o segurado pode recorrer à Justiça para compelir o órgão a atualizar os dados.
  • Revisão de Benefício: Para quem já se aposentou e descobriu o erro depois, é possível pedir uma revisão da aposentadoria dentro do prazo de 10 anos, visando aumentar o valor mensal do benefício.

Como consultar o extrato do CNIS?

O extrato pode ser baixado em PDF através do site ou aplicativo Meu INSS, na opção “Extrato de Contribuição (CNIS)”.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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