domingo,
18 de janeiro de 2026

PIS/Pasep 2026: mudança na regra pode cortar até 50% dos beneficiários

Mudança no critério de renda desvincula teto do benefício do salário mínimo; economia para o governo pode chegar a 50% em dois anos.

O Abono Salarial PIS/Pasep passará por uma transformação estrutural que promete encolher a base de trabalhadores beneficiados nos próximos anos. 

A partir de 2026, o teto de renda para a elegibilidade do programa deixará de ser corrigido pelo aumento real do salário mínimo, passando a ser reajustado exclusivamente pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A mudança atinge diretamente o critério de “dois salários mínimos” que historicamente define quem tem direito ao valor. Com a nova regra, o limite de renda será preservado contra a inflação, mas não acompanhará os ganhos reais (acima da inflação) aplicados ao piso nacional. 

Na prática, à medida que o salário mínimo cresce mais que o INPC, uma parcela maior de trabalhadores ultrapassará o teto de renda permitido, perdendo o acesso ao abono.

Impacto orçamentário

A alteração visa a “focalização do gasto público”, conforme defende o Ministério da Fazenda. O governo argumenta que o modelo anterior permitia que o benefício alcançasse faixas de renda que já não se enquadrariam no perfil assistencial do programa. 

Especialistas projetam um impacto severo no alcance social da medida: a estimativa é de uma redução de 30% a 40% nos gastos já no primeiro ano, podendo chegar a 50% de economia em apenas dois anos.

Regras de Transição

O impacto prático só será sentido em 2026 devido à lógica do “ano-base”. Como o pagamento do abono ocorre com base nos dados de dois anos anteriores, os efeitos da nova métrica começam a aparecer quando os rendimentos apurados já estiverem sob a vigência do novo critério de correção.

Apesar da restrição no acesso, o valor do benefício para quem permanecer no programa não sofre alteração. O cálculo continua sendo proporcional aos meses trabalhados no ano-base, podendo chegar a até um salário mínimo vigente na data do pagamento.

Quem mantém o direito?

Para além do novo teto de renda, os demais requisitos permanecem inalterados. O trabalhador deve:

  • Estar cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos;
  • Ter trabalhado com carteira assinada por, no mínimo, 30 dias no ano-base;
  • Ter os dados corretamente informados pelo empregador no eSocial.

Trabalhadores podem consultar sua situação cadastral e a previsão de recebimento através do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.

Veja as mudanças

Critério Regra Antiga Regra Nova (2026)
Correção do Teto Acompanha o Salário Mínimo (com ganho real) Acompanha apenas a Inflação (INPC)
Elegibilidade Estável para quem ganha 2 mínimos Diminui conforme o mínimo sobe acima da inflação
Valor do Abono Até 1 salário mínimo Até 1 salário mínimo

Conclusão

Para o trabalhador brasileiro, o novo cenário exige atenção redobrada ao planejamento financeiro e ao monitoramento dos dados laborais. 

Com o teto de renda ‘congelado’ em termos reais, pequenas promoções ou reajustes salariais acima da inflação podem, paradoxalmente, excluir o profissional do direito ao abono. 

A recomendação de especialistas é que o segurado utilize os canais digitais do governo para acompanhar sua elegibilidade e garantir que, enquanto o direito persistir, o benefício seja recebido sem entraves burocráticos

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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