O mercado de crédito privado isento de Imposto de Renda começou 2026 em ritmo acelerado. A entrada de recursos em fundos da categoria já ultrapassa R$ 10 bilhões neste início de ano.
Com isso, os spreads médios das debêntures incentivadas com classificação AAA recuaram 32 pontos-base e ficaram ainda mais negativos, passando a render, em média, 50 pontos-base abaixo dos títulos públicos equivalentes.
Mesmo com essa diferença, os produtos isentos continuam oferecendo vantagem na comparação final com aplicações que não contam com incentivo tributário.
Queda dos spreads e influência do FGC
Parte do movimento recente é atribuída ao retorno ao mercado de valores pagos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a investidores do Banco Master. A avaliação é da Asset1, que estruturou sua área de crédito há pouco mais de um ano.
A gestora aponta que esse fator ajudou a ampliar a liquidez e pressionar os spreads para baixo neste começo de 2026.
Oscilações em 2025 e retomada em 2026
Os ativos isentos passaram por instabilidade ao longo de 2025. Durante o período em que se discutia uma possível taxação, os spreads ficaram comprimidos. A proposta acabou não avançando.
Em dezembro, houve um alívio temporário, impulsionado por eventos de crédito e pela sazonalidade típica do fim do ano. No entanto, o movimento de queda dos spreads voltou a se intensificar agora, já no início de 2026.
Incerteza política mantém investidor conservador
Para a Asset1, além do efeito do FGC, o cenário econômico e político ajuda a explicar o aumento da procura pelos fundos de crédito. A combinação de juros elevados e incertezas eleitorais segue direcionando os investidores para a renda fixa.
“Ainda não estamos percebendo um movimento dos investidores de volta do apetite para bolsa ou fundos multimercado”, conta Marcelo Fatio, sócio-fundador da Asset1.
“Isso corrobora um pouco essa visão de que o fluxo para a renda fixa, para o crédito, deve continuar forte. A gente tem evento de eleição esse ano, cenário totalmente indefinido. Essa incerteza faz naturalmente o investidor ficar mais conservador”, disse.
Mesmo com a expectativa de cortes na Selic ao longo de 2026, a gestora avalia que o patamar médio dos juros seguirá elevado o suficiente para manter o crédito privado atrativo em termos reais.
Selic ainda sustenta retorno dos fundos
A Asset1 considera que, mesmo com redução da taxa básica, o nível médio anual continuará favorecendo os fundos de crédito.
“Se a gente está hoje numa Selic de 15% e termina o ano a 12%, você vai ter uma Selic média ao longo do ano de algo como 13,5%. Assumindo fundos entregando próximo de 100% do CDI, isso é mais do que o um por cento ao mês”, afirmou Daniel Palaia.