quinta-feira,
5 de fevereiro de 2026

Entenda por que trabalhadores voltaram às ruas em Caracas por salário

Protestos em Caracas reúnem trabalhadores contra e a favor do governo interino para cobrar reajuste do salário mínimo, estagnado há quatro anos

Trabalhadores a favor e contra o chavismo realizaram manifestações nesta segunda-feira (2) em Caracas, na Venezuela, para cobrar melhorias salariais do governo interino. 

Os atos ocorreram em pontos diferentes da cidade e foram acompanhados por forças de segurança para evitar confrontos.

Salário mínimo segue sem reajuste há quatro anos

O principal motivo dos protestos é a estagnação do salário mínimo, que permanece em 130 bolívares desde 2022. O valor equivale a cerca de 0,35 dólar (R$ 1,85, na cotação atual) e é complementado apenas por bonificações.

Professores e funcionários da Universidade Central da Venezuela (UCV) se concentraram em frente ao Tribunal Supremo de Justiça.

Durante o ato, eles apresentaram uma ação contra o Estado por omissão constitucional, alegando falta de reajustes salariais desde 2022.

“Lutamos por salário, democracia e liberdade!”, entoaram os manifestantes.

Governo interino o promete usar renda do petróleo

A atual presidente interina, Delcy Rodríguez, assumiu o poder após a queda de Nicolás Maduro, em uma incursão militar dos Estados Unidos no dia 3 de janeiro.

Ela declarou que as novas receitas obtidas com a venda de petróleo aos norte-americanos serão destinadas a projetos sociais, saúde e obras públicas.

Professores cobram prioridade para salários

O presidente da associação de professores da UCV, Gregorio Alfonzo, afirmou que a renda petrolífera deve ser usada para beneficiar os trabalhadores.

“É preciso reivindicar de uma vez por todas o salário. Se a renda petrolífera vai aumentar, tem que ser investida em todos os trabalhadores”, afirmou.

Já Saraí García, que ocupa cargo administrativo na universidade, criticou a situação econômica enfrentada pela população.

“Este é um assassinato diário da população venezuelana sem distinção de classe ou condição, seja operário, seja arquiteto”, declarou.

Chavismo também protesta e pede libertação de Maduro

Em outro ponto da cidade, apoiadores do chavismo marcharam até o Tribunal Supremo de Justiça para exigir que os Estados Unidos libertem Nicolás Maduro, preso em Nova York sob acusação de tráfico de drogas.

O grupo também entregou um documento com “10 ações urgentes” para reivindicar direitos trabalhistas.

Segundo Oliver Rivas, coordenador de uma rede de trabalhadores governistas, há expectativa de recuperação econômica com mudanças no setor petrolífero.

“Temos a oportunidade de que, com a negociação com as petroleiras, com a reforma da Lei de Hidrocarbonetos e o diálogo nacional, novamente se possa chegar à recuperação econômica e da renda salarial”, afirmou.

Polícia separa grupos e evita confronto

Uma fileira de policiais foi posicionada entre os manifestantes contrários e favoráveis ao governo interino. Não houve confronto físico, apenas troca de palavras de ordem entre os dois lados.

As manifestações evidenciam a crise salarial e a divisão política que ainda marca o cenário venezuelano, mesmo após a mudança no comando do país.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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