quinta-feira,
5 de fevereiro de 2026

Reforma do IR e transferências: o que muda na renda das famílias em 2026

Reforma do IR, desemprego baixo e transferências fiscais devem elevar a renda das famílias em 2026, segundo estudo da XP

O cenário de desemprego em níveis historicamente baixos deve continuar em 2026 e, junto com mudanças no Imposto de Renda e transferências fiscais, tende a elevar a renda disponível das famílias.

Um estudo da XP estima crescimento de 4,5% da renda real neste ano, resultado semelhante ao registrado em 2025.

Segundo os economistas Rodolfo Margato e Tiago Sbardelotto, esse conjunto de fatores sustenta a expectativa de aceleração do consumo e do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Diante disso, o relatório aponta viés de alta para a projeção de crescimento econômico, atualmente em 1,7%.

Mercado de trabalho segue aquecido

A análise parte do desempenho recente do mercado de trabalho. Embora a população ocupada tenha perdido ritmo no segundo semestre de 2025, acompanhando a desaceleração da atividade, o número médio de pessoas ocupadas ainda cresceu 1,9% no ano. O total passou de cerca de 100 milhões para 102,2 milhões.

O estudo destaca que o avanço do emprego formal continua concentrado principalmente no setor de serviços. Ao mesmo tempo, a taxa de participação da força de trabalho recuou de 62,4% para 61,9%, na série dessazonalizada.

“A escassez de mão de obra tem afetado praticamente todos os setores e regiões. Como resultado, a taxa de desemprego caiu para níveis abaixo de 5,5% no fim do ano passado, atingindo um piso histórico”, afirmam os autores.

Desemprego deve permanecer abaixo do nível neutra

Para os economistas, esse cenário de aperto no mercado de trabalho não deve se alterar no curto prazo. A projeção é de taxa de desemprego em 5,7% ao final de 2026 e em 6,2% ao fim de 2027, ambos patamares abaixo da chamada taxa neutra, que não pressiona a inflação.

“Estimamos que a taxa de equilíbrio se situe entre 7,0% e 7,5%, embora reconheçamos o elevado grau de incerteza inerente a esse tipo de estimativa”, dizem Margato e Sbardelotto.

Renda do trabalho mantém trajetória de alta

A renda real do trabalho também deve continuar avançando. A combinação entre demanda resiliente por mão de obra e restrições pelo lado da oferta sustenta esse movimento. A regra de reajuste do salário mínimo acima da inflação reforça essa dinâmica.

A projeção indica crescimento de 2,5% na renda média real do trabalho em 2026, alcançando cerca de R$ 3.800 por mês. Com isso, a massa salarial real agregada deve aumentar 3,8% no ano, após alta de 5,6% em 2025. A estimativa anterior era de avanço de 3,4%.

Reforma do IR amplia efeito sobre o consumo

Além da renda do trabalho, a reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física entra como fator relevante para a renda das famílias. As isenções e os descontos tributários para faixas de menor renda devem contribuir para o consumo.

“Estimamos que cerca de 0,8 ponto percentual do crescimento da renda real disponível às famílias este ano decorrerá dessas medidas — menos do que em anos anteriores, mas ainda assim uma contribuição relevante para a atividade econômica”, apontam os economistas.

O estudo calcula que a reforma deve elevar a arrecadação em R$ 34,1 bilhões em 2026. Desse total, R$ 25,2 bilhões vêm da tributação de dividendos pagos a pessoas físicas, enquanto R$ 8,9 bilhões referem-se a recursos remetidos ao exterior, sem impacto direto sobre a renda disponível.

Segundo os autores, os efeitos não são neutros para a atividade econômica. A explicação está na diferença de comportamento entre os grupos afetados. 

“A propensão marginal a consumir de indivíduos de baixa e média renda — beneficiados pela isenção e pelos descontos tributários — é significativamente mais elevada do que a dos indivíduos de alta renda, que serão impactados pela tributação de dividendos e pela introdução da alíquota mínima efetiva”, destacam.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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