sexta-feira,
27 de fevereiro de 2026

CPMI do INSS convoca Leila Pereira após derrota do governo

CPMI do INSS aprova convocação de Leila Pereira após votação em bloco e derrota da base governista; entenda o que motivou a decisão

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), a convocação de Leila Pereira, presidente do Banco Crefisa e da Crefisa S.A. Crédito, Financiamento e Investimentos, além de presidente do Palmeiras. A decisão foi tomada após derrota da base governista durante votação em bloco na comissão.

Ao todo, 87 requerimentos foram aprovados na sessão, marcada por forte embate político.

Por que Leila Pereira foi convocada? 

O pedido de convocação é de autoria do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). 

No requerimento, ele sustenta que a oitiva é necessária com base em informações apresentadas pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, em depoimento realizado no início de fevereiro.

Segundo o relator, a Crefisa teve papel central na operação de pagamento de novos benefícios. Posteriormente, passou a ser alvo de medidas restritivas adotadas pelo INSS.

No texto, Alfredo Gaspar afirma que a convocação é “medida necessária” para esclarecer o conhecimento da alta administração da Crefisa sobre irregularidades relatadas por beneficiários.

Reclamações e medidas restritivas

Entre os pontos destacados pelo relator estão:

  • A suspensão excepcional de novos pagamentos pela Crefisa, determinada pelo INSS, após reclamações reiteradas de aposentados.
  • Relatos de pressão para abertura de contas e contratação de serviços sem informação adequada.
  • Indícios que o relator classifica como quadro próximo de “práticas abusivas”.

O requerimento também aponta que o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) da instituição não foi renovado em junho de 2025, em razão do volume de reclamações. 

Desde então, a empresa permanece desabilitada para operar consignados.

Além disso, o texto menciona a existência de processos instaurados a partir de denúncias apresentadas por seccionais da OAB de São Paulo e Minas Gerais, o que reforçaria, segundo o relator, a “indispensabilidade do depoimento”.

Como ocorreu a votação na CPMI do INSS

A aprovação do nome de Leila Pereira ocorreu após uma manobra regimental. 

A base do governo propôs que todos os itens da pauta fossem votados “em globo”, ou seja, em bloco, com a expectativa de rejeição integral.

No entanto, a contagem conduzida pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou a vitória da oposição.

Com o resultado, além da convocação da presidente da Crefisa, foram aprovadas medidas consideradas de alto impacto político, como a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e de empresas ligadas ao Banco Master.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, já havia autorizado a quebra de sigilo de Lulinha antes da decisão da CPMI do INSS.

O que Leila Pereira deverá esclarecer

Na condição de testemunha, Leila Pereira deverá explicar:

  • Quais mecanismos de controle foram adotados pela instituição diante das medidas restritivas impostas pelo INSS.
  • Qual a responsabilidade da administração na manutenção das práticas citadas no requerimento.

A CPMI do INSS tem prazo para encerrar os trabalhos em 26 de março. No entanto, o relator e o presidente do colegiado articulam a prorrogação do prazo para garantir a realização das oitivas aprovadas nesta quinta-feira, incluindo as do setor financeiro.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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