quinta-feira,
5 de março de 2026

O que a CPMI descobriu sobre repasses no programa Meu INSS Vale+

CPMI analisa repasses de R$ 55,7 milhões ligados ao programa Meu INSS Vale+ e investiga possível relação com criação da antecipação de benefícios

Documentos analisados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS indicam que uma conta bancária ligada ao grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, realizou transferências que somam R$ 55,7 milhões para empresas associadas a Danilo Trento. 

Ele é investigado por supostos desvios relacionados a descontos associativos em aposentadorias e pensões.

Os dados constam em relatórios de movimentações financeiras identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e compartilhadas com a CPMI.

Segundo a análise, os repasses ocorreram em cinco operações realizadas entre dezembro de 2024 e abril de 2025, período em que estava ativo o programa Meu INSS Vale+.

Repasses investigados pela CPMI do INSS

A suspeita do relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), é de que Danilo Trento tenha atuado para aproximar representantes do banco digital PicPay da direção do INSS durante a criação do programa.

“Chama atenção, ainda, a coincidência de datas entre os repasses e o surgimento do programa Meu INSS Vale+, aparentemente estruturado sob medida para o PicPay, com instruções normativas assinadas por Stefanutto, então presidente do INSS”, afirmou Gaspar.

No período em que o programa foi estruturado, o INSS era presidido por Alessandro Stefanutto. Ele foi preso em novembro do ano passado durante uma operação da Polícia Federal que investigou descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

Como funcionava o programa Meu INSS Vale+

O programa Meu INSS Vale+ permitia antecipar parte de benefícios e auxílios permanentes pagos pelo INSS. A ideia era oferecer recursos para cobrir despesas emergenciais de aposentados e pensionistas.

A expectativa inicial do órgão era alcançar cerca de 38 milhões de beneficiários.

O sistema começou a operar em dezembro de 2024 e acabou suspenso em maio de 2025 após questionamentos sobre cobranças de taxas e juros consideradas irregulares.

Quantos aposentados participaram

Dados do INSS indicam que, durante o período de funcionamento do programa:

  • 341.100 pessoas se cadastraram
  • mais de R$ 252,5 milhões foram antecipados em benefícios

Informações do Portal da Transparência apontam que o INSS pagou R$ 110,5 milhões ao PicPay no mesmo período.

Apesar de três instituições terem sido habilitadas para operar o programa — Agibank, Sudacred e PicPay —, apenas o PicPay realizou operações enquanto o Vale+ esteve ativo.

Questionamentos sobre as taxas cobradas

A decisão de interromper o programa ocorreu após uma denúncia da Febraban ao INSS.

A entidade informou que o modelo não possuía respaldo jurídico para funcionar e apontou que o PicPay cobrava tarifas sobre os valores antecipados aos beneficiários.

Essas cobranças não estavam previstas na norma que instituiu o programa. Os valores variavam entre R$ 4,99 e R$ 20,99 por antecipação.

Para solicitar o adiantamento, o aposentado precisava:

  • criar cadastro no PicPay
  • vincular a conta aos dados da Previdência Social
  • solicitar a antecipação do benefício

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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