O microempreendedor individual é um sistema simplificado de formalização de empresas para empreendedores que faturam até 81 mil reais por ano, ou cerca de 6.750 reais por mês.
Quem está no programa consegue ter benefícios como CNPJ, emitir nota fiscal além de contribuir para o INSS.
Além do limite de renda, a empresa só pode ter um funcionário. O microempreendedor não pode ser sócio em outra empresa e deve exercer uma das atividades permitidas para a modalidade.
Neste contexto de vantagens, o MEI tem como se aposentar com um salário maior que o mínimo? Com a Reforma da Previdência em 2019, mudanças nas regras de aposentadoria mexeram com a vida de muitos.
Quem atua como MEI já contribui com o DAS, que representa 5% do salário mínimo. Com esse tipo de contribuição, o salário do INSS dos aposentados MEI é apenas um salário mínimo.
Contudo, é possível complementar o valor da aposentadoria contribuindo com uma taxa extra de 15%. Vamos explicar melhor a seguir.
Caminho da aposentadoria
Para quem paga apenas a guia mensal do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), o destino é a Aposentadoria por Idade. Nessa modalidade, ao atingir 62 anos (mulheres) ou 65 anos (homens), com o mínimo de 15 anos de contribuição, o valor do benefício será exatamente o salário mínimo vigente.
É a segurança básica garantida pela contribuição de 5% que está inclusa no imposto mensal do MEI.
Se o seu objetivo é receber um valor maior ou garantir o direito à Aposentadoria por Tempo de Contribuição, o segredo está na complementação mensal de 15%.
Como o MEI já paga 5% de INSS no DAS, essa guia adicional de 15% (recolhida via GPS – Guia da Previdência Social) totaliza os 20% exigidos para benefícios mais altos.
Em 2026, para quem deseja apenas que o tempo conte para a aposentadoria comum, essa porcentagem incide sobre o salário mínimo.
Porém, se a meta é elevar a média salarial para chegar mais perto do teto do INSS (atualmente em R$ 8.475,55), o empreendedor pode optar por recolher esses 20% sobre um valor superior ao mínimo, respeitando o limite do teto.
Passo a passo da complementação
Para colocar esse aumento em prática, o empreendedor não utiliza o portal do MEI, mas sim o sistema do INSS. É necessário gerar uma guia avulsa (GPS) com o código de pagamento 1910.
O cálculo é simples: você subtrai o que já pagou no DAS e complementa a diferença. Na prática, para quem quer contribuir sobre o mínimo, paga-se o DAS normalmente e emite-se a guia complementar de 15% sobre o valor do piso nacional (R$ 1.621).
Se o desejo é contribuir sobre um valor maior, o cálculo deve ser feito sobre essa base pretendida.
Soma de rendas e o futuro
Outra possibilidade valiosa em 2026 é para o profissional que possui um emprego com carteira assinada e mantém o MEI como renda extra. O INSS soma as duas contribuições automaticamente.
Se você ganha R$ 3 mil no emprego e contribui como MEI, sua média para o cálculo da aposentadoria será baseada na soma desses rendimentos, o que empurra o valor final do benefício para cima.
Planejamento
A grande lição para o microempreendedor é que a aposentadoria não é um valor estático. O valor do salário mínimo é o ponto de partida, mas através da complementação de 15% ou da soma de atividades concomitantes, é possível construir um futuro financeiro melhor.
A recomendação de economistas é avaliar se o custo mensal dessa complementação cabe no orçamento atual para garantir o retorno desejado lá na frente.