segunda-feira,
9 de março de 2026

O que mostram os extratos de Lulinha enviados à CPMI do INSS

Extratos enviados à CPMI do INSS mostram movimentações de R$ 19,5 milhões nas contas de Lulinha entre 2022 e 2026 e detalham repasses e transferências

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recebeu, no fim da tarde da última quarta-feira (5), extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Os documentos apontam movimentações financeiras registradas entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026.

Segundo o material analisado pela comissão, foram identificadas 1.531 transações bancárias no período, com movimentação total de R$ 19,5 milhões. Os registros incluem entradas e saídas de recursos, além de transferências entre contas do próprio investigado.

Os extratos também indicam que o presidente Lula enviou ao filho R$ 721 mil em três repasses feitos entre 2022 e 2023.

Movimentações registradas ano a ano

Os dados entregues à CPMI detalham os valores movimentados em cada ano do período analisado.

  • 2022: R$ 4,66 milhões
  • 2023: R$ 4,01 milhões
  • 2024: R$ 7,27 milhões
  • 2025: R$ 3,37 milhões
  • 2026: R$ 205,4 mil

No total, os extratos apontam R$ 9,77 milhões em créditos e R$ 9,75 milhões em débitos ao longo dos cinco anos.

Principais entradas nas contas

De acordo com a quebra de sigilo, a maior parte das entradas registradas na conta de Lulinha veio de resgates de fundos de investimento, que somaram R$ 4,4 milhões no período analisado.

Além disso, os extratos mostram transferências internas de outras contas do próprio investigado, que totalizaram R$ 735,7 mil.

Também aparecem três repasses feitos pelo presidente Lula:

  • 22/07/2022: R$ 384 mil
  • 27/12/2023: R$ 92.463,90
  • 27/12/2023: R$ 244.845,80

Ainda em 27 de dezembro de 2023, os documentos indicam um depósito de cheque de R$ 157,7 mil assinado por Paulo Tarcísio Okamotto, diretor do Instituto Lula.

Empresas das quais Lulinha é sócio com a esposa, Renata de Abreu Moreira, também realizaram transferências para a conta dele. Os repasses somaram cerca de R$ 3,2 milhões.

Os valores foram distribuídos da seguinte forma:

  • R$ 2.375.000,00 (2023 a 2026) – LLF Tech Participações
  • R$ 827.457,51 (2022 e 2023) – G4 Entretenimento
  • R$ 52.057,68 (2022) – LLF Participações (extinta em 2010)

Outras entradas, que totalizam cerca de R$ 1,2 milhão, estão relacionadas a produtos bancários, como consórcios, previdência privada, seguros e transações não identificadas.

Saídas e transferências registradas

Entre as saídas de recursos, a maior parcela corresponde a transferências para outras contas do próprio Lulinha. Esse tipo de operação soma R$ 4,6 milhões.

Os extratos também indicam pagamentos feitos a dois ex-sócios.

Entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025, foram realizadas 17 transferências para Jonas Leite Suassuna Filho, que totalizaram R$ 704 mil. Os valores individuais variam entre R$ 1.500 e R$ 30,6 mil.

Outro ex-sócio, Kalil Bittar, recebeu R$ 750 mil em 15 transferências registradas entre janeiro de 2024 e outubro de 2025. A maior parte dos repasses ficou na faixa de R$ 50 mil.

Os documentos ainda apontam oito depósitos em cartão pré-pago, somando R$ 11.600, realizados entre novembro de 2023 e janeiro de 2024.

Outras operações incluem pagamentos de boletos e transferências de menor valor para pessoas físicas.

Nota da defesa de Lulinha

Quanto às informações divulgadas, é impossível avaliarmos sua existência, veracidade ou detalhamento, uma vez que Fábio Luís e sua defesa não têm acesso nem aos documentos recebidos pela CPMI, nem aos que a imprensa alega ter recebido.

No entanto, é gritante a ausência de menção a qualquer elemento ligado às fraudes do INSS, o alegado objeto investigativo da quebra de sigilo.

Todos os movimentos e bens são registrados e declarados ao fisco, resultados de atuação legítima, ou mesmo de recebimento da herança de sua mãe, Dona Marisa, falecida em um contexto de perseguição política e midiática muito semelhante com o atual.

Essas informações parciais demonstram novamente uma total ausência de envolvimento de Fábio Luís com as fraudes do INSS, o que força o questionamento sobre a legitimidade da devassa e linchamento públicos, abastecidos por ato criminoso de vazamento de documentos.”

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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