quinta-feira,
26 de março de 2026

Inadimplência cresce e atinge quem ganha até 1 salário mínimo

Brasil chega a 332 milhões de dívidas em 2026; estudo mostra aumento da inadimplência entre baixa renda, idosos e mulheres

O Brasil atingiu a marca de 332 milhões de dívidas em 2026, número 43% maior do que o registrado em 2016, segundo levantamento da Serasa Experian. Os dados foram apresentados durante coletiva sobre os 10 anos do Mapa da Inadimplência.

O crescimento do endividamento reflete mudanças no perfil dos brasileiros inadimplentes e reforça a concentração do problema nas faixas de renda mais baixas.

Inadimplência se concentra na base da renda

De acordo com o estudo, 48% dos brasileiros inadimplentes ganham até um salário mínimo. O dado indica que a maior parte das dívidas está concentrada entre consumidores com menor renda.

Esse cenário mostra que o aumento da inadimplência não ocorre de forma uniforme, atingindo principalmente quem tem menor capacidade de pagamento.

Dívida média por consumidor aumenta

O levantamento também aponta que o valor médio das dívidas por pessoa cresceu ao longo da última década.

Considerando valores corrigidos pela inflação, a média passou de R$ 5.880,02 em 2016 para R$ 6.598,13 em 2026. O avanço foi de 12,2% no período.

Perfil dos inadimplentes muda ao longo dos anos

Além do aumento no volume de dívidas, o estudo mostra mudanças relevantes no perfil dos consumidores endividados.

Entre os principais pontos:

  • A participação de idosos cresceu de forma significativa
  • A presença de jovens entre inadimplentes diminuiu
  • As mulheres passaram a ser maioria

Idosos ganham mais peso na inadimplência

Em 2016, pessoas com mais de 60 anos representavam 12,23% dos inadimplentes, a menor fatia entre as faixas etárias.

Dez anos depois, esse grupo passou a responder por 19,41% do total, com aumento de 7,18 pontos percentuais.

Já entre os jovens de 18 a 25 anos, houve redução na participação. O índice caiu de 15,93% em 2016 para 11,45% em 2026, uma queda de 4,48 pontos percentuais.

Mulheres passam a ser maioria

A distribuição por gênero também mudou ao longo da última década.

Em 2016, os homens representavam 50,2% dos inadimplentes, enquanto as mulheres somavam 49,8%. Em 2026, o cenário se inverteu.

Atualmente, as mulheres são 50,5% do total de inadimplentes, enquanto os homens correspondem a 49,5%.

O que mostram os dados sobre o endividamento no país

O levantamento da Serasa Experian evidencia um aumento expressivo no número de dívidas e mudanças no perfil dos brasileiros inadimplentes.

Os dados indicam maior impacto entre consumidores de menor renda, crescimento da participação de idosos e alteração na distribuição por gênero ao longo dos últimos dez anos.

Os dados reforçam a necessidade de acompanhar de perto a evolução do endividamento no país, especialmente entre os grupos mais afetados.

O cenário aponta para um desafio contínuo na organização financeira das famílias e no acesso ao crédito, com impactos diretos no cotidiano da população ao longo dos próximos anos.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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