quinta-feira,
16 de abril de 2026

Venda de empresa de ônibus a beneficiário do Bolsa Família é investigada

Venda de grupo de ônibus em São Luís a beneficiário do Bolsa Família é investigada por suspeita de fraude societária

Autoridades do Maranhão investigam uma denúncia de fraude societária envolvendo a venda de um grupo empresarial de ônibus urbanos de São Luís para um beneficiário do Bolsa Família. 

O caso envolve empresas que estão em recuperação judicial e acumulam dívida milionária.

Entenda a venda do grupo de ônibus em São Luís

O Consórcio VL São Luís, que inclui também as empresas Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna, entrou com pedido de recuperação judicial em novembro de 2025. 

O grupo possui uma dívida de ao menos R$ 177 milhões, que passa por renegociação com credores.

Mesmo nesse cenário, o consórcio aparece como vendido em uma negociação concluída no fim de janeiro. As cotas foram transferidas para Willame Alves dos Santos, apontado como beneficiário do Bolsa Família, por um valor de R$ 3 milhões.

As duas outras empresas que integram o grupo também passaram a constar no nome do novo titular.

Quem são os envolvidos na negociação

A venda das cotas foi realizada por Deborah Piorski Ferreira, filha do empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como PP. Ele é vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros e atua no setor de transporte rodoviário em São Luís.

Até janeiro de 2024, PP aparecia como sócio e administrador das empresas que estão em recuperação judicial. Ele também possui atuação no setor de mineração.

Justiça age após denúncia de credora

Os detalhes da negociação constam em uma ação civil pública movida pela empresa Vamos Locação de Caminhões, Máquinas e Equipamentos, uma das credoras do grupo. 

A empresa acionou a Justiça no último dia 6, apontando suspeita de fraude e solicitando o bloqueio de verbas destinadas às empresas.

Ao analisar o caso, o juiz Douglas Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, convocou uma reunião de emergência com as partes. Ele classificou a situação como envolvendo “gravíssimos fatos”.

A reunião ocorreu na terça-feira (7), conforme ata à qual a coluna teve acesso.

MP pede bloqueio de bens e investigação aprofundada

Diante do cenário, o Ministério Público solicitou a desconsideração da personalidade jurídica das empresas. A medida permite que pessoas físicas e jurídicas responsáveis sejam cobradas diretamente.

O órgão também pediu o bloqueio de bens do atual dono, da ex-dona e do empresário apontado como “sócio oculto”.

“O valor visa garantir a futura reparação por danos materiais e morais coletivos causados aos consumidores do sistema de transporte público”, diz o pedido.

Confissão reforça suspeitas

Segundo a ata da reunião, o gerente do Consórcio Via SL afirmou que o proprietário e gestor de fato do grupo seria PP, mesmo sem constar formalmente no quadro societário.

Se quiser acompanhar desdobramentos do caso e outras notícias sobre transporte público e economia, continue acompanhando as atualizações.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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