A forma como o salário mínimo 2027 influencia as aposentadorias do INSS voltou ao centro do debate. Em um novo artigo, publicado pelo Extra, o economista Raul Velloso defende que o próximo governo reveja a regra de reajuste dos benefícios previdenciários. A ideia é garantir maior sustentabilidade às contas públicas.
Atualmente, o salário mínimo recebe reajustes anuais que consideram a inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), conforme a legislação em vigor. Como muitos benefícios previdenciários estão vinculados ao piso nacional, qualquer aumento também eleva as despesas da Previdência Social.
Salário mínimo 2027: por que a regra atual está em debate?
Segundo o economista, essa dinâmica precisa ser repensada diante do envelhecimento da população brasileira e do avanço dos gastos com aposentadorias ao longo das últimas décadas.
Para sustentar esse argumento, Velloso lembra que a despesa do INSS representava cerca de 2,5% do PIB em 1988. Hoje, segundo ele, esse percentual deve alcançar aproximadamente 8,3%.
Além disso, a participação das despesas com INSS e Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) no gasto primário federal aumentou de forma significativa desde o lançamento do Plano Real.
Outro ponto destacado pelo autor é a mudança no perfil demográfico do país. A expectativa é que a população com 65 anos ou mais continue crescendo nas próximas décadas, o que tende a ampliar a pressão sobre o sistema previdenciário.
Diante desse cenário, o economista propõe desvincular os reajustes das aposentadorias dos ganhos reais do salário mínimo. Na avaliação dele, os benefícios deveriam ser corrigidos automaticamente apenas pela inflação, utilizando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Segundo Velloso, essa alternativa preservaria o poder de compra dos aposentados sem ampliar continuamente as despesas da Previdência.
Argentina de Milei seria exemplo a não seguir
Além disso, ele cita um estudo desenvolvido em parceria com o economista Paulo Tafner. De acordo com os autores, aumentos do salário mínimo aplicados aos benefícios previdenciários não seriam a forma mais eficiente de reduzir a pobreza, já que boa parte dos recursos não chegaria às famílias de menor renda.
Por fim, Velloso alerta que, sem mudanças nas regras atuais, o Brasil poderá enfrentar dificuldades fiscais mais severas no futuro. Como exemplo, ele menciona a redução real das aposentadorias ocorrida na Argentina em 2024, durante o ajuste fiscal promovido pelo governo de Javier Milei.
Entretanto, vale destacar que, até o momento, não há projeto de lei ou medida oficial em tramitação para alterar a regra de reajuste das aposentadorias nos moldes defendidos pelo economista.
Fonte: Artigo “Agenda 2027(V): o salário mínimo”, publicado por Raul Velloso, e dados citados pelo autor