A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas por suspeita de participação na fraude INSS. Entre os investigados está o ex-presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto, apontado pela corporação como um dos envolvidos em crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo a investigação, o grupo teria atuado em um esquema que causou prejuízos estimados em cerca de R$ 6 bilhões a aposentados e pensionistas. A apuração começou em abril de 2025 e ainda terá novos desdobramentos envolvendo outras entidades e investigados.
Fraude no INSS: o que aponta a investigação da PF
De acordo com o relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Stefanutto teria recebido pagamentos mensais para deixar de fiscalizar entidades responsáveis pelos descontos aplicados nos benefícios previdenciários. A Polícia Federal afirma que os repasses ilegais chegaram a aproximadamente R$ 250 mil por mês.
Ainda conforme a investigação, parte do dinheiro teria sido transferida por meio de empresas de fachada, entre elas uma pizzaria. Além do ex-presidente do INSS, a PF indiciou o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, e o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis. Os três estão presos preventivamente desde o fim de 2025.
As defesas dos investigados ainda não se manifestaram sobre o conteúdo do relatório. A defesa de Stefanutto informou apenas que ainda não teve acesso ao documento de indiciamento.
O foco desta etapa da investigação é a atuação da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A Polícia Federal afirma que encontrou planilhas com registros de pagamentos de propina e identificou movimentações bancárias compatíveis com os valores anotados nesses documentos.
O presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, também foi indiciado por suspeita de crimes como corrupção e organização criminosa. Até a publicação desta reportagem, sua defesa não havia se pronunciado.
Segundo a PF, Virgílio Antônio Ribeiro Filho teria recebido pelo menos R$ 6,5 milhões em propinas. Já André Fidelis teria recebido cerca de R$ 3,4 milhões.
Agora, o relatório será analisado pelo ministro André Mendonça, do STF. Em seguida, o material deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresentará denúncia criminal contra os investigados.
O inquérito não trata das apurações envolvendo outras pessoas citadas em investigações paralelas, que continuam em andamento.
Fonte: Polícia Federal e informações divulgadas pelo Terra