Banco Master: quem são os citados em relatório da CPI
Relatório da CPI cita políticos e bilhões em repasses do Banco Master. Veja quem aparece e o que pode acontecer após o fim da comissão

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado encerra os trabalhos nesta terça-feira (14) sem concluir a análise completa das declarações de imposto de renda do Banco Master.
O relatório final cita movimentações de R$ 7,3 bilhões feitas entre 2022 e 2025 e inclui nomes de políticos, ex-ministros e empresas que receberam valores da instituição.
O documento será apresentado e votado no último dia da CPI. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), vai solicitar que órgãos como a Polícia Federal aprofundem a apuração sobre os repasses.
“A gente vai fazer constar do relatório toda informação a que a gente teve acesso. Aquilo que a gente pôde analisar e documentar plenamente já vai ser apresentado para nossa análise.
Aquilo que a gente tem apenas como início de investigação, ou como dado relevante, vai ser referido com a demanda de que se apure mais adiante em maior detalhe”, disse o senador.
Repasses bilionários entram na análise da CPI
As declarações enviadas à Receita Federal mostram pagamentos a empresas e pessoas físicas.
Do total de R$ 7,3 bilhões:
R$ 3,5 bilhões foram destinados à contratação de serviços
R$ 3,3 bilhões correspondem a rendimentos de aplicações financeiras
R$ 491 milhões foram pagos em salários e participação nos lucros
A maior parte dos recursos foi repassada a empresas, com R$ 6,7 bilhões. Já as pessoas físicas receberam R$ 584 milhões.
Dentro desse grupo:
R$ 491 milhões foram pagos a funcionários
R$ 86 milhões vieram de rendimentos financeiros
R$ 7 milhões foram por serviços prestados
Quem aparece entre os citados no relatório
Os dados incluem pagamentos a escritórios de advocacia, empresas e consultorias ligadas a figuras públicas.
Entre os nomes mencionados:
Escritórios e consultorias
Escritório de Viviane Barci de Moraes: mais de R$ 80 milhões
Escritório de Michel Temer: R$ 10 milhões em 2025
Escritório ligado a Ricardo Lewandowski: R$ 5,9 milhões
Ex-ministros e ex-autoridades
Henrique Meirelles: R$ 18,4 milhões entre 2024 e 2025
Guido Mantega: R$ 14 milhões no mesmo período
Políticos e pessoas ligadas a partidos
Empresa ligada a ACM Neto: R$ 5,4 milhões
Empresa de Marconi Perillo: R$ 14,5 milhões
Empresa de Fabio Wajngarten: R$ 3,8 milhões
Empresa com Ronaldo Bento como sócio: R$ 6,2 milhões
BN Financeira, ligada à família de Jaques Wagner: R$ 12 milhões
O próprio senador Jaques Wagner aparece com R$ 289 mil, apontados como rendimento de aplicações.
Outros nomes e empresas
Empresas do Grupo Massa: R$ 24 milhões somados
Antônio Rueda: R$ 2,1 milhões
Empresa ligada a ACM Neto: R$ 5,4 milhões
Segundo os citados, os valores correspondem a serviços prestados ou rendimentos devidamente declarados.
Pagamentos a escritórios de advocacia
Levantamento citado pela imprensa aponta que mais de meio bilhão de reais foi pago a 91 escritórios de advocacia entre 2022 e 2025.
Pelo menos 15 dessas bancas receberam valores superiores a R$ 10 milhões.
O que a CPI pede a partir de agora
Mesmo sem concluir toda a análise, o relator decidiu incluir no parecer os dados já verificados e solicitar investigação adicional.
A proposta é que órgãos de controle aprofundem a apuração sobre possíveis irregularidades nas transações.
Especialista aponta necessidade de análise caso a caso
O professor de Direito Constitucional Gustavo Sampaio afirma que o valor recebido não define irregularidade.
Segundo ele, o ponto central é verificar se houve conflito de interesse ou impedimento legal na prestação de serviços.
