sexta-feira,
6 de fevereiro de 2026

O que muda no Imposto de Renda para professores da básica

Entenda o que muda no Imposto de Renda para professores da educação básica a partir de 2026 e quem terá isenção ou redução do imposto

A partir de 2026, professores da educação básica passam a ter novas regras no Imposto de Renda da Pessoa Física. 

As mudanças ampliam a faixa de isenção e reduzem o imposto para parte da categoria, com impacto direto no valor recebido ao longo do ano.

As alterações valem para salários pagos desde janeiro, com efeito nos pagamentos feitos a partir de fevereiro. Segundo dados oficiais, a medida alcança milhões de trabalhadores em todo o país, incluindo docentes da rede pública e privada.

Quem fica isento do Imposto de Renda

Com a nova regra, professores que recebem até R$ 5 mil brutos por mês deixam de pagar Imposto de Renda. Já quem ganha até R$ 7.350 passa a ter redução gradual do tributo, conforme a faixa salarial.

Rendimentos acima desse valor continuam seguindo a tabela progressiva, com alíquotas que podem chegar a 27,5%.

Quantos professores serão beneficiados

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra que a maior parte dos docentes da educação básica será alcançada pelas mudanças. Os dados apontam que:

  • a proporção de professores isentos sobe de 19,7% para 51,6%;
  • outros 21,9% passam a pagar menos imposto;
  • no total, 73,5% da categoria terá algum benefício.

Entre os docentes, mais de 600 mil deixam de pagar o imposto, enquanto cerca de 1,5 milhão passam a ter aumento na renda disponível.

Diferença entre quem tem um ou mais vínculos

O impacto da reforma varia conforme a forma de atuação no magistério. Entre professores com apenas um vínculo, 60,8% ficam isentos e 21,1% têm redução do imposto.

Já entre aqueles que acumulam mais de um vínculo, 32,2% passam a ser isentos e 26,1% recebem desconto no valor pago ao Fisco.

Ganho anual para quem está próximo do piso

Na prática, professores com salários próximos ao piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77 em 2025, terão cerca de R$ 5 mil a mais por ano em renda disponível.

“O impacto equivale, na prática, a um ‘14º salário’ ao longo do ano”, aponta o levantamento do Ipea.

Quem pode ter o benefício

A isenção e a redução do Imposto de Renda valem para trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios. A regra também se aplica ao décimo terceiro salário.

Os efeitos da mudança variam conforme o local de atuação. A rede privada concentra a maior proporção de professores dentro da nova faixa de isenção, com 82,2%.

Na rede pública, permanece uma parcela maior de docentes acima do limite de isenção. Regionalmente, Sudeste e Sul concentram o maior número de beneficiados, somando isenção e redução. O Centro-Oeste reúne mais professores na faixa da alíquota máxima.

Reforma sancionada no ano passado

As mudanças fazem parte da reforma do Imposto de Renda sancionada em novembro de 2025, por meio da Lei nº 15.270/2025. A medida tem como foco ampliar a renda disponível e reduzir a carga tributária sobre trabalhadores de menor renda.

Para o Ipea, a alteração reforça políticas públicas voltadas à valorização da carreira docente, especialmente para quem tem o magistério como principal fonte de renda.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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