quarta-feira,
18 de fevereiro de 2026

Governo debate novo reajuste do salário mínimo em 2026

Ministro do Trabalho defende reajuste maior do salário mínimo em 2026 e questiona regra atual de valorização aprovada pelo Congresso

O governo federal voltou a discutir o reajuste do salário mínimo em 2026. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu na terça-feira (10.fev.2026) um aumento maior do que o previsto na regra atual de valorização do piso nacional.

Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621. Para Marinho, o valor é “pouco” e “baixo”.

Regra atual limita reajuste acima da inflação

Hoje, o reajuste do salário mínimo pode chegar a até 2,5% acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses até novembro do ano anterior.

O teto foi proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso em 2024. Na época, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo Lula havia devolvido ao trabalhador o direito ao ganho real acima da inflação, mas que era necessário controlar os gastos públicos.

Cada R$ 1 acrescido ao salário mínimo impacta despesas indexadas, como aposentadorias e pensões. Essas despesas são a principal rubrica não financeira do Orçamento federal.

Diferença entre a regra atual e a antiga

Antes da mudança, o cálculo do reajuste considerava:

  • a variação do INPC
  • o crescimento do PIB de dois anos antes

Com a regra anterior, o valor do salário mínimo seria maior em 2026.

O piso subiu de R$ 1.412 em 2024 para R$ 1.518 em 2025. Se o modelo antigo ainda estivesse em vigor, o valor teria sido R$ 1.528 naquele ano.

Em 2026, o salário chegou a R$ 1.621. Pela fórmula anterior, seria de R$ 1.646, ou R$ 25 a mais.

Declarações do ministro Luiz Marinho

Durante evento realizado na Esplanada dos Ministérios, Marinho afirmou:

“Nós devemos estar satisfeitos com o valor atual? A resposta não. Nós desejamos e queremos mais”.

Ele também declarou:

“Nós não devemos estar satisfeitos com a atual política de valorização do salário mínimo. Nós vamos querer mais”.

O ministro disse ainda que o salário mínimo é a ferramenta “mais poderosa de distribuição de renda” e afirmou que o governo sozinho não consegue implementar determinadas mudanças. Segundo ele, é necessária a participação da classe trabalhadora.

Marinho citou como exemplo o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5.000.

Lançamento de livro marca 90 anos do salário mínimo

As declarações ocorreram durante o lançamento do livro “Salário Mínimo no Brasil: 90 anos de História, Lutas e Transformações”, realizado no estacionamento do bloco F da Esplanada dos Ministérios.

A publicação é resultado de parceria entre o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e o Ministério do Trabalho e Emprego. O objetivo é celebrar os 90 anos do salário mínimo, criado em 1936, e os 20 anos da política de valorização do piso nacional.

O evento contou com a presença de sindicalistas, como o presidente da CUT, Sérgio Nobre, além do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, do presidente do IBGE, Marcio Pochmann, e da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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