O governo federal voltou a discutir o reajuste do salário mínimo em 2026. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu na terça-feira (10.fev.2026) um aumento maior do que o previsto na regra atual de valorização do piso nacional.
Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621. Para Marinho, o valor é “pouco” e “baixo”.
Regra atual limita reajuste acima da inflação
Hoje, o reajuste do salário mínimo pode chegar a até 2,5% acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses até novembro do ano anterior.
O teto foi proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso em 2024. Na época, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo Lula havia devolvido ao trabalhador o direito ao ganho real acima da inflação, mas que era necessário controlar os gastos públicos.
Cada R$ 1 acrescido ao salário mínimo impacta despesas indexadas, como aposentadorias e pensões. Essas despesas são a principal rubrica não financeira do Orçamento federal.
Diferença entre a regra atual e a antiga
Antes da mudança, o cálculo do reajuste considerava:
- a variação do INPC
- o crescimento do PIB de dois anos antes
Com a regra anterior, o valor do salário mínimo seria maior em 2026.
O piso subiu de R$ 1.412 em 2024 para R$ 1.518 em 2025. Se o modelo antigo ainda estivesse em vigor, o valor teria sido R$ 1.528 naquele ano.
Em 2026, o salário chegou a R$ 1.621. Pela fórmula anterior, seria de R$ 1.646, ou R$ 25 a mais.
Declarações do ministro Luiz Marinho
Durante evento realizado na Esplanada dos Ministérios, Marinho afirmou:
“Nós devemos estar satisfeitos com o valor atual? A resposta não. Nós desejamos e queremos mais”.
Ele também declarou:
“Nós não devemos estar satisfeitos com a atual política de valorização do salário mínimo. Nós vamos querer mais”.
O ministro disse ainda que o salário mínimo é a ferramenta “mais poderosa de distribuição de renda” e afirmou que o governo sozinho não consegue implementar determinadas mudanças. Segundo ele, é necessária a participação da classe trabalhadora.
Marinho citou como exemplo o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5.000.
Lançamento de livro marca 90 anos do salário mínimo
As declarações ocorreram durante o lançamento do livro “Salário Mínimo no Brasil: 90 anos de História, Lutas e Transformações”, realizado no estacionamento do bloco F da Esplanada dos Ministérios.
A publicação é resultado de parceria entre o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e o Ministério do Trabalho e Emprego. O objetivo é celebrar os 90 anos do salário mínimo, criado em 1936, e os 20 anos da política de valorização do piso nacional.
O evento contou com a presença de sindicalistas, como o presidente da CUT, Sérgio Nobre, além do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, do presidente do IBGE, Marcio Pochmann, e da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo.