Começa a valer oficialmente, a partir desta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, o novo valor do salário mínimo nacional.
Fixado em R$ 1.621, o piso representa um reajuste de R$ 103 em relação ao ano anterior.
Embora a vigência seja imediata para o trabalho exercido a partir de hoje, os trabalhadores e beneficiários do INSS sentirão o impacto no bolso apenas no início de fevereiro, quando as folhas de pagamento referentes ao mês de janeiro começarem a ser depositadas.
O reajuste de 6,79% foi estabelecido por decreto presidencial e segue a política de valorização que combina a inflação com o crescimento do PIB.
Cálculo do reajuste e o teto do arcabouço
O cálculo que definiu o novo piso baseia-se em dois pilares técnicos: a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que registrou 4,18% no acumulado até novembro de 2025, somada ao desempenho econômico de dois anos anteriores (2024).
Embora o PIB de 2024 tenha apresentado uma expansão de 3,4%, o ganho real aplicado ao salário mínimo sofreu uma limitação imposta pelas regras do arcabouço fiscal.
A legislação vigente restringe o crescimento real das despesas — e, por consequência, o repasse do PIB ao mínimo — a um teto de 2,5% acima da inflação. Segundo estimativas do Dieese, sem essa trava fiscal, o valor poderia ter chegado a R$ 1.636, uma diferença de R$ 15 em relação ao valor decretado.
Impacto social e previdenciário
A mudança no piso nacional gera um efeito cascata imediato nas contas públicas e no poder de compra da população. De acordo com o Dieese, cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm seus rendimentos atrelados ao salário mínimo.
A composição desse contingente evidencia o alcance da medida:
- 29,2 milhões de aposentados e pensionistas do INSS;
- 17,6 milhões de empregados no setor formal;
- 10,7 milhões de trabalhadores autônomos;
- 3,8 milhões de trabalhadores domésticos.
Em termos macroeconômicos, a circulação desses novos recursos deve injetar aproximadamente R$ 81,7 bilhões na economia brasileira ao longo do ano. Somente o impacto na folha de pagamentos da Previdência Social responde por quase metade desse valor, somando R$ 40 bilhões em benefícios.
Histórico de valorização
Dessa forma, o levantamento do Dieese aponta ainda um balanço de longo prazo sobre o poder de compra. Desde 2002, o salário mínimo acumulou uma alta nominal de 710,5%.
O índice supera significativamente a inflação do período (INPC), que foi de 306,7%. Consolidando uma trajetória de ganho real que, apesar das limitações fiscais recentes, busca recompor a renda das camadas mais vulneráveis da sociedade.