O salário mínimo em vigor em 2026 foi fixado em R$ 1.621, segundo o Decreto nº 12.797/2025. O valor representa um reajuste de 6,79% em relação ao piso do ano anterior, que era de R$ 1.518.
Apesar do aumento, um estudo aponta que o montante ainda está distante do necessário para garantir as despesas básicas de um trabalhador brasileiro.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo ideal para cobrir gastos essenciais deveria ser de R$ 7.106,83, conforme o relatório mais recente, divulgado em dezembro.
Diferença entre o salário atual e o valor considerado suficiente
Entre o piso nacional de 2026 e o salário mínimo ideal calculado pelo Dieese, há uma diferença de R$ 5.485,83. Isso indica que o trabalhador que recebe o mínimo precisaria ganhar 4,38 vezes mais para conseguir arcar apenas com despesas básicas.
O levantamento considera custos com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Como é definido o reajuste do salário mínimo
O reajuste do salário mínimo segue a política de valorização prevista na Lei nº 14.663/23. A fórmula considera:
- A inflação acumulada em 12 meses até novembro, medida pelo INPC
- O crescimento do PIB de dois anos anteriores, limitado a 2,5%
Para 2026, foram utilizados:
- Inflação de 4,4%
- Crescimento do PIB de 2024 de 2,5%
Com isso, o reajuste chegou a cerca de 6,8%, equivalente a um aumento de R$ 103.
Caso ainda estivesse em vigor a regra que permitia o repasse integral do crescimento do PIB, que foi de 3,4% em 2024, o salário mínimo de 2026 seria de R$ 1.636. Esse valor seria R$ 15 superior ao piso atual.
Como o Dieese calcula o salário mínimo ideal
O Dieese parte do princípio constitucional de que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir a subsistência do trabalhador e de sua família. Para isso, o instituto utiliza como base o custo da cesta básica mais cara do país e soma outros gastos essenciais.
Em dezembro de 2025, o cálculo considerou o valor da cesta básica de São Paulo, estimada em R$ 845,95. Esse valor representava 60,25% do salário mínimo líquido no período.
Segundo o levantamento, o trabalhador precisaria cumprir 122 horas de trabalho no mês apenas para comprar alimentos.
Por que a diferença é tão grande?
O Dieese explica que a defasagem entre o salário mínimo pago e o necessário tem origem histórica. Durante a Ditadura Cívico-Militar, foi adotada uma política de arrocho salarial como forma de controle da inflação.
Entre 1964 e 1974, o poder de compra do salário mínimo caiu quase pela metade. Mesmo após a redemocratização, o piso não recuperou totalmente seu valor devido à ausência de políticas de aumento real por longos períodos.
Até 2002, o poder de compra do salário mínimo correspondia a apenas 30,28% do valor registrado em 1940, quando foi instituído.