terça-feira,
6 de janeiro de 2026

Salário mínimo novo já está em vigor; veja o que mudou

Salário mínimo novo já está em vigor em 2026. Veja o que muda para trabalhadores, aposentados, benefícios sociais e contribuições

O salário mínimo novo passou a valer oficialmente em 1º de janeiro de 2026 e já está em vigor em todo o país. O valor foi reajustado para R$ 1.621, o que representa um aumento nominal de 6,79% em relação ao piso anterior, que era de R$ 1.518.

A mudança foi confirmada por decreto do governo federal. Apesar de o valor já estar em vigor, o pagamento com o novo piso ocorre de forma prática a partir de fevereiro, seguindo os calendários de salários, aposentadorias e benefícios.

O reajuste do salário mínimo não impacta apenas trabalhadores formais. A atualização atinge aposentadorias, pensões, benefícios assistenciais, programas sociais e contribuições previdenciárias.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão rendimentos influenciados direta ou indiretamente pelo novo valor.

Como foi definido o salário mínimo novo

O cálculo do salário mínimo segue a política permanente de valorização prevista na Lei 14.663, de 2023. 

O modelo considera dois fatores principais: a inflação medida pelo INPC acumulado em 12 meses até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto de dois anos antes.

Para 2026, o INPC acumulado ficou em 4,18%. Já o PIB de 2024 teve crescimento de 3,4%, mas, devido às regras do novo arcabouço fiscal, o ganho real ficou limitado a 2,5%. A soma desses indicadores resultou em um reajuste nominal de R$ 103.

Com o novo piso em vigor, o valor diário do salário mínimo passou a ser de R$ 54,04, enquanto a hora trabalhada subiu para R$ 7,37.

Aposentadorias e pensões do INSS

O reajuste do salário mínimo afeta diretamente aposentados e pensionistas do INSS que recebem o piso nacional. 

Esses beneficiários passam automaticamente a ter direito ao valor de R$ 1.621, com pagamento ajustado nos repasses feitos no fim de janeiro.

Para quem recebe acima de um salário mínimo, os valores serão corrigidos apenas pela inflação, com base no INPC de 2025, que será divulgado no início de janeiro. 

De acordo com o Dieese, cerca de 70,8% dos beneficiários da Previdência Social recebem valores vinculados ao salário mínimo.

O aumento do piso nacional deve elevar as despesas da Previdência Social em aproximadamente R$ 39,1 bilhões ao longo de 2026.

Benefício de Prestação Continuada

O Benefício de Prestação Continuada, destinado a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, também acompanha o salário mínimo. Com o novo valor já em vigor, o benefício passa automaticamente para R$ 1.621.

Além disso, o critério de renda para acesso ao BPC permanece atrelado ao piso nacional. Em 2026, a renda mensal por pessoa da família deve ser igual ou inferior a 25% do salário mínimo, o que corresponde a R$ 405,25.

Abono salarial PIS/Pasep

O salário mínimo novo também influencia o abono salarial do PIS/Pasep. O valor do benefício é calculado de forma proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base e tem como referência o salário mínimo vigente no momento do pagamento.

Em 2026, os repasses começam em 15 de fevereiro e serão feitos em sete lotes. A estimativa do governo federal é que 26,9 milhões de trabalhadores recebam o abono, somando R$ 33,5 bilhões em pagamentos.

Quem trabalhou durante todos os 12 meses do ano-base poderá receber o valor integral de um salário mínimo. Já quem trabalhou por menos tempo receberá o valor proporcional.

Seguro-desemprego

O valor mínimo do seguro-desemprego também foi atualizado com o novo salário mínimo já em vigor. Nenhuma parcela pode ser inferior ao piso nacional, o que garante o pagamento mínimo de R$ 1.621 em 2026.

Os valores máximos do benefício seguem regras específicas e dependem de portarias que ainda serão formalizadas pelo governo federal. Em 2025, as parcelas variaram entre R$ 1.528 e R$ 2.424,11.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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