O salário mínimo no Brasil deverá ter aumento real em 2027, ou seja, um reajuste acima da inflação. A projeção considera o crescimento de 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto) registrado em 2025, que poderá ser incorporado ao cálculo do piso nacional.
O valor definitivo ainda não está definido. Isso porque o reajuste também depende da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulada até novembro de 2026, dado que será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apenas no início de 2027.
Como será calculado o salário de 2027
A política atual de valorização do salário mínimo considera dois fatores principais:
- Inflação medida pelo INPC, acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior
- Crescimento do PIB do ano retrasado
No caso do reajuste previsto para 2027, o cálculo levará em conta:
- A inflação acumulada pelo INPC até novembro de 2026
- O crescimento de 2,3% do PIB em 2025
Como esse avanço econômico ficou dentro dos limites definidos pela política fiscal do governo, o percentual poderá ser incorporado integralmente ao aumento do salário mínimo.
Crescimento do PIB foi o menor em 5 anos
O crescimento de 2,3% do PIB em 2025 representa o resultado mais baixo da economia brasileira nos últimos cinco anos.
Nos anos anteriores, o desempenho foi maior:
- 2021: crescimento de 4,8%
- 2022: crescimento de 3%
- 2023: crescimento de 3,2%
- 2024: crescimento de 3,4%
Antes disso, o pior resultado recente havia sido registrado em 2020, quando a economia brasileira teve retração de 3,3%, em meio à pandemia de Covid-19.
Regras do arcabouço fiscal limitam ganho real
O reajuste real do salário mínimo segue as regras estabelecidas pelo arcabouço fiscal, que define limites para o crescimento acima da inflação.
Segundo a norma, o aumento real precisa respeitar um intervalo entre:
- 0,6% (mínimo)
- 2,5% (máximo)
Como o PIB de 2025 avançou 2,3%, o índice está abaixo do teto de 2,5% e pode ser incorporado totalmente ao cálculo do salário mínimo de 2027.
Nos anos recentes, o crescimento econômico superou esse limite, mas o reajuste do piso nacional ficou restrito ao teto definido pela regra fiscal.
Caso o PIB tivesse crescido menos de 0,6%, o salário mínimo ainda assim teria garantia de aumento real mínimo dentro desse limite.
Por que o governo impõe limites ao reajuste
Os limites foram estabelecidos como parte do arcabouço fiscal para controlar o ritmo de crescimento das despesas públicas.
Na prática, a regra cria um intervalo para o ganho real do salário mínimo. O objetivo é equilibrar dois pontos:
- A política de valorização do piso nacional
- O controle das contas públicas
Esse mecanismo também busca preservar recursos no Orçamento para as chamadas despesas discricionárias, que são os gastos em que o governo possui maior liberdade de decisão.
Por que o salário mínimo impacta as contas públicas
O salário mínimo é o menor valor que um trabalhador pode receber por mês no Brasil em jornada regular. Ele também funciona como referência para diversos benefícios sociais e previdenciários.
Entre os pagamentos vinculados ao piso nacional estão:
- Aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)
- BPC (Benefício de Prestação Continuada) pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda
Esses benefícios não podem ter valor inferior ao salário mínimo. Assim, sempre que o piso nacional é reajustado, os pagamentos também são atualizados.
Estados brasileiros podem definir pisos regionais superiores ao nacional, mas nunca abaixo dele.