PCC: casal envolvido em esquema não declarava Imposto de Renda há 8 anos

PF revela que casal ligado ao PCC não declarava Imposto de Renda há 8 anos e movimentou R$ 7 milhões por fintech
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A Polícia Federal e a Receita Federal revelaram detalhes impressionantes sobre a Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do PCC na economia formal. 

Entre os alvos, chamou atenção o caso de um casal que, mesmo movimentando milhões, não declarava o Imposto de Renda há mais de oito anos.

Segundo os investigadores, nos últimos dois anos, esse mesmo casal gastou R$ 7 milhões em transações feitas por meio de uma fintech. 

O exemplo ilustra como o crime organizado tem usado brechas no sistema financeiro para esconder grandes quantias de dinheiro.

Operação Carbono Oculto: a teia do PCC na Economia

As autoridades informaram que a megaoperação atingiu 41 pessoas físicas e bloqueou 21 fundos de investimento. 

Além disso, foram decretados o sequestro de 192 imóveis, a apreensão de 141 veículos e mais de R$ 300 mil em espécie.

O diretor da PF, Andrei Rodrigues, destacou que cerca de 255 empresas estariam ligadas ao esquema, considerado uma das maiores tentativas já registradas de lavagem de dinheiro no país. Duas embarcações também foram confiscadas.

Conexão entre operações: Carbono Oculto, Quasar e Tank

A Carbono Oculto não atuou de forma isolada. Ela se conectou a outras duas grandes ofensivas: Quasar e Tank.

  • Quasar: mirava um esquema de fundos de investimento usados para ocultar patrimônio de origem criminosa. O grupo criava múltiplas camadas societárias e financeiras para dificultar a identificação dos beneficiários.
  • Tank: desmantelou uma rede de lavagem de dinheiro no Paraná, que teria movimentado mais de R$ 23 bilhões desde 2019, usando centenas de empresas como postos de combustíveis, holdings e distribuidoras.

As três investigações, ao se cruzarem, mostraram como o PCC diversificou seus mecanismos de lavagem, desde depósitos fracionados em espécie até o uso de “laranjas” e simulações fiscais.

Crimes do PCC investigados desde 2020

Apesar de a Operação Carbono Oculto ter começado em 2023, as apurações encontraram indícios de irregularidades desde 2020 até 2024. 

Os esquemas identificados demonstram o poder de articulação do PCC e sua capacidade de explorar brechas do sistema financeiro para blindar patrimônios ilícitos.

Alerta para o futuro

As autoridades reforçaram que o caso mostra como o PCC tem buscado novas formas de se infiltrar em setores legítimos da economia.

O uso de fintechs e fundos de investimento em cadeia foi considerado um alerta para o sistema financeiro, já que a complexidade das operações dificulta a fiscalização. 

Para a PF e a Receita, a descoberta evidencia a necessidade de aprimorar os mecanismos de controle e transparência.

A expectativa é de que novas fases da investigação revelem outros envolvidos e ajudem a desarticular a estrutura bilionária montada pela facção criminosa.

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