Terça-feira, 15 de setembro de 2026

CGU denuncia INSS por falhas no consignado

Controladoria Geral da União lançou um ofício apontando supostas falhas de fiscalização do INSS sobre o consignado

Aécio de Paula
Escrito porAécio de Paula
Publicado em
2 min de leitura403 palavras
CGU denuncia INSS por falhas no consignado
Foto: Reprodução

Por meio de um ofício, a Controladoria Geral da União (CGU) denunciou aquilo que seriam falhas na fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) quando o assunto é o consignado. A publicação do documento aconteceu ainda nesta semana.

Em resumo, o ofício da Controladoria aponta que houveram:

  • autorizações de empréstimos que não estariam cumprindo os critérios legais;

  • falta de acompanhamento por parte do INSS das instituições que oferecem o consignado;

  • relaxamento da divulgação das novas regras do consignado.

Taxa de juros do consignado

Um dos pontos que mais chamaram atenção da Controladoria, foi o alto número de concessões do consignado com taxas de juros mais altas do que aquelas que eram permitidas pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS).

Anúncio

De acordo com o relatório, considerando o universo de 3 milhões de empréstimos consignados que foram analisados, é possível afirmar que cerca de 20% estavam com o teto de juros acima do que estava sendo permitido oficialmente.

Data de Inclusão no sistema do INSSTeto de taxa de juros vigente à épocaNº de contratos analisadosNº de contratos analisados com indicativo de taxa superior ao tetoPercentual com indicativo de irregularidade
De 13/12/22 a 15/03/232,14%2.084.731343.19316,5%
De 16/03/23 a 30/03/231,70%5.73263111,0%
De 30/03/23 a 20/06/231,97%1.011.096279.95527,7%
Total3.101.559623.77920,1%

“Conclui-se que os controles implementados não são suficientes para assegurar a qualidade das informações sobre as contratações de empréstimo pessoal consignado (…) grande parte dos registros do sistema apresentavam inconsistências em seu preenchimento, inclusive quanto aos valores dos empréstimos contratados”, diz o documento da CGU.

Queda da taxa de juros

O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) protocolou nos últimos meses uma série de reduções do teto máximo de juros do consignado. Contudo, várias pessoas não estavam sabendo destas reduções, e acabaram assinando o contrato com juros mais altos.

A última redução no teto máximo da taxa foi protocolado no dia 11 de janeiro. O CNPS definiu que o teto máximo de juros do empréstimo regular caiu de 1,80% para 1,76% ao mês.

Esta foi a sexta queda oficial do teto máximo da taxa de juros do consignado desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou ao poder. Veja na lista abaixo:

  • Março/2023 – 2,14% para 1,70%;

  • Março/2023 – 1,70% para 1,97%;

  • Agosto/2023 – 1,97% para 1,91%;

  • Outubro/2023 – passou de 1,91% para 1,84%.

  • Dezembro/2023 – passou de 1,84% para 1,80%.

  • Janeiro/2024 – passou de 1,80% para 1,76%.

Anúncio

Na prática, isso significa que as instituições financeiras podem oferecer a taxa de juros que preferirem, desde que esta marca não ultrapasse os 1,76% definidos em lei. Caso contrário, se tratará de uma irregularidade.

O Ministério da Previdência Social já deixou claro, aliás, que pretende aplicar mais reduções da taxa máxima de juros do consignado.

Compartilhe: