sexta-feira,
17 de abril de 2026

Descontos indevidos no INSS continuam; veja como se proteger

Descontos indevidos no INSS seguem sendo registrados. Veja o que se sabe sobre o caso e as investigações envolvendo fraudes bilionárias

As reclamações sobre descontos indevidos em benefícios do INSS seguem sendo registradas mesmo após alertas internos. Entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2025, a Ouvidoria do instituto contabilizou 4.925 queixas relacionadas ao problema.

O tema voltou ao centro das investigações após o depoimento do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, à Polícia Federal. Ele negou participação no esquema de fraudes envolvendo descontos associativos, cujo prejuízo estimado chega a R$ 6 bilhões.

Depoimento à PF e investigação em curso

Preso desde novembro do ano passado, Stefanutto foi interrogado sobre sua possível relação com as fraudes, o vínculo com associações e decisões que autorizaram os descontos nos benefícios.

Durante o depoimento, ele negou irregularidades e afirmou que atuou contra fraudes que já eram discutidas internamente. Também disse que solicitou informações à Polícia Federal para ajudar na gestão do órgão.

Responsabilidade é atribuída à Dataprev

Segundo fontes ligadas à investigação, o ex-presidente do INSS apontou a Dataprev como responsável pela operação dos descontos.

Em documento enviado ao Congresso Nacional no ano passado, Stefanutto já havia apresentado a mesma versão. No ofício, ele afirmou:

“Note-se que o INSS não tem competência para realizar a averbação do desconto de mensalidade associativa e sequer dispõe de acesso ao sistema de troca de informações para inserir tais dados. Toda a operação sistêmica é processada via Dataprev, que é responsável pela operação sistêmica e pelo processamento dos descontos”

Procurada, a Dataprev não se manifestou sobre o caso.

Reclamações continuaram mesmo com alertas

Apesar das suspeitas e do volume de registros na Ouvidoria, os descontos indevidos seguiram sendo relatados por beneficiários ao longo do período analisado.

As respostas de Stefanutto ao Congresso foram assinadas no dia 7 de abril, 16 dias antes da operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, realizada em 23 do mesmo mês.

Operação levou a demissões no governo

Após a operação, o ex-presidente do INSS foi afastado do cargo junto com outros quatro integrantes da cúpula do instituto.

Horas depois, ele acabou demitido do governo. O então ministro Carlos Lupi também deixou o cargo no dia 2 de maio, nove dias após a ação.

Como escapar dos descontos indevidos do INSS

Para reduzir o risco de descontos não autorizados, o beneficiário deve acompanhar com frequência o extrato de pagamento do INSS. 

A consulta pode ser feita pelos canais oficiais, onde é possível verificar todos os lançamentos vinculados ao benefício.

Também é importante ficar atento a autorizações de associações e evitar fornecer dados pessoais sem confirmação da origem do pedido.

Caso identifique qualquer cobrança desconhecida, o segurado deve registrar reclamação nos canais do INSS e solicitar o bloqueio imediato do desconto.

Manter os dados atualizados e revisar periodicamente as informações ajuda a evitar prejuízos.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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