quarta-feira,
21 de janeiro de 2026

Fibromialgia passa a ser considerada deficiência no Brasil a partir deste mês

Nova lei garante status de PCD a cerca de 6 milhões de brasileiros; acesso a benefícios depende de avaliação biopsicossocial.

Desde o dia 1º de janeiro, entrou em vigor a Lei nº 15.176/2025, um marco jurídico que reconhece oficialmente a fibromialgia como deficiência (PCD) em todo o território nacional.

 A medida é celebrada por entidades médicas e associações de pacientes como um passo decisivo para combater o estigma da “dor invisível” e garantir direitos sociais a uma parcela da população que, até então, enfrentava dificuldades para comprovar limitações funcionais.

Dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) apontam que a síndrome afeta cerca de 3% dos brasileiros — aproximadamente 6 milhões de pessoas.

A condição, mais comum em mulheres, é caracterizada por dores crônicas generalizadas, fadiga extrema e distúrbios do sono.

Direitos e Benefícios

Com o novo status de PCD, os pacientes diagnosticados passam a ter respaldo legal para pleitear direitos como:

  • Reserva de vagas em concursos públicos e em empresas privadas (Lei de Cotas).
  • Isenções fiscais na compra de veículos adaptados (IPI e ICMS), conforme regulamentação.
  • Prioridade de atendimento em serviços públicos e privados.
  • Aposentadoria especial, desde que cumpridos os requisitos de carência e tempo de contribuição previstos para pessoas com deficiência.

Diagnóstico não garante benefício automático

Especialistas alertam que o reconhecimento legal não é automático. Para se enquadrar como PCD e acessar benefícios previdenciários, o paciente deve passar por uma avaliação biopsicossocial.

“O diagnóstico clínico, por si só, não atesta incapacidade. É necessária uma perícia realizada por equipe multiprofissional que avalie como a dor impacta a vida social, o trabalho e a autonomia do indivíduo”, explica o Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião e pesquisador da Unicamp. 

Segundo o médico, o objetivo é identificar casos onde a síndrome interfere de forma significativa nas atividades cotidianas.

O fim da “negligência estrutural”

O reconhecimento aproxima o Brasil de legislações avançadas, como as do Reino Unido e de Israel. Além do aspecto financeiro, a lei traz uma vitória simbólica. 

Devido à ausência de exames de imagem (como Raio-X ou Ressonância) que comprovem a dor, muitos pacientes relatam anos de descrédito por parte de empregadores e até de familiares.

“Há uma negligência estrutural com a dor crônica. Na fibromialgia, o sistema nervoso amplifica os estímulos, tornando a dor avassaladora. A lei legitima esse sofrimento”, pontua Valadares.

O que é essa síndrome

A fibromialgia é uma síndrome neurossensorial onde o cérebro interpreta estímulos de forma intensificada.

Principais Sintomas:

  • Dor musculoesquelética espalhada pelo corpo.
  • Fadiga crônica que não melhora com o repouso.
  • “Fibrofog”: Dificuldade de concentração e lapsos de memória.
  • Sono não reparador e episódios de ansiedade.

Como obter o reconhecimento:

  1. Obter laudo detalhado com médico reumatologista ou especialista em dor.
  2. Agendar perícia médica no INSS (para benefícios previdenciários) ou órgãos competentes.
  3. Apresentar evidências do impacto da doença na rotina de trabalho e vida social.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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