sexta-feira,
10 de abril de 2026

Fraudes no INSS: delação de empresário pode mudar investigação

Empresário preso por fraudes no INSS firma delação e admite esquema; acordo pode impactar investigação e ampliar apuração do caso

O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro sob suspeita de envolvimento em fraudes no INSS, firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. 

No documento, ele admite a existência de irregularidades nos descontos aplicados a aposentadorias.

Apontado como um dos principais operadores do esquema, Camisotti foi alvo da Operação Sem Desconto, a mesma fase que resultou na prisão de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A informação foi publicada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada posteriormente por outros veículos de imprensa.

Delação pode impactar rumos da investigação

A negociação do acordo vinha sendo conduzida desde o fim do ano passado. Nesta semana, a defesa encaminhou o material ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, responsável por analisar e homologar o acordo.

Há expectativa de que, com a delação, o empresário obtenha o benefício da prisão domiciliar. O acordo ainda deve passar pela Procuradoria-Geral da República, embora tenha sido firmado diretamente com a Polícia Federal.

Esta é a primeira delação no âmbito da investigação sobre o esquema.

Como funcionava o esquema investigado

O caso envolve descontos realizados em aposentadorias e pensões sem autorização dos beneficiários. As suspeitas ganharam força em abril do ano passado, após operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União.

Os investigadores apontam que entidades responsáveis pelos descontos e empresas ligadas a elas teriam sido usadas como fachada para lavagem de dinheiro. Camisotti é citado como um dos beneficiários das irregularidades.

Entre os dados apurados:

  • Empresas ligadas ao empresário receberam transferências da Ambec, entidade investigada no caso
  • O INSS repassou quase R$ 400 milhões à associação entre 2023 e 2025

Movimentações financeiras sob suspeita

Relatórios apontam saques em dinheiro vivo que levantaram suspeitas durante a investigação. Segundo dados analisados R$ 7,2 milhões foram sacados em 11 retiradas

Ao todo, foram 17 saques entre 2018 e 2025. O maior saque individual chegou a R$ 3 milhões

Também houve a retirada de R$ 285 mil, sem identificação clara de quem realizou a operação, embora a conta esteja vinculada ao empresário.

As movimentações foram analisadas pelo Coaf a pedido da CPI que investiga fraudes no INSS no Congresso.

Acusações e exigências da delação

Camisotti responde a acusações de fraude na arrecadação de dívidas e corrupção para viabilizar o esquema. Para formalizar a delação, ele precisou:

  • Confessar participação nos crimes
  • Apresentar provas das informações prestadas
  • Indicar outros possíveis envolvidos, incluindo dirigentes e políticos
  • Entregar materiais como documentos e conversas

Os desdobramentos do caso

Em março, um novo avanço da Operação Sem Desconto resultou na prisão de mais dois suspeitos. Na mesma decisão, foi determinada a instalação de tornozeleira eletrônica na deputada Gorete Pereira (MDB-CE), que nega irregularidades.

À época da prisão, a defesa de Camisotti afirmava que ele não havia participado de qualquer esquema envolvendo o INSS.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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