O crescimento do trabalho informal no Brasil — que abrange desde freelancers e vendedores independentes até prestadores de serviço eventuais — consolidou um mito perigoso: o de que quem trabalha sem carteira assinada está excluído da aposentadoria.
Dados do sistema previdenciário, contudo, revelam o contrário. O ordenamento jurídico brasileiro permite que o trabalhador informal contribua de forma voluntária, garantindo não apenas a renda na velhice, mas proteção imediata contra imprevistos.
A falta de informação é o principal obstáculo. Muitos profissionais acreditam que a contribuição só é possível por meio do desconto em folha salarial.
Ao ignorar as vias de contribuição individual ou facultativa, milhões de brasileiros deixam de computar tempo de serviço, o que pode retardar ou até inviabilizar o acesso ao benefício no futuro.
Tipos de Contribuintes
Para ingressar no sistema, o trabalhador informal deve identificar-se em uma das duas modalidades principais:
- Contribuinte Individual: Destinado a quem exerce atividade remunerada por conta própria (autônomos).
- Contribuinte Facultativo: Voltado para quem não possui renda própria (como estudantes ou donas de casa), mas deseja garantir a proteção previdenciária.
A contribuição ocorre mensalmente via Guia da Previdência Social (GPS). O valor escolhido impacta diretamente o cálculo do benefício: pagamentos sobre o salário mínimo garantem a aposentadoria básica, enquanto alíquotas maiores permitem benefícios de valor mais elevado.
Proteção vai além da velhice
A adesão ao INSS como contribuinte voluntário oferece uma “rede de segurança” que o trabalho informal, por si só, não provê. Além da aposentadoria por idade, o segurado passa a ter direito a:
- Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença);
- Salário-maternidade;
- Pensão por morte e auxílio-reclusão para os dependentes.
“Manter a regularidade nos pagamentos é essencial. A interrupção prolongada pode levar à perda da qualidade de segurado, suspendendo o direito a esses auxílios em momentos de emergência”, explicam especialistas do setor.
A inscrição pode ocorrer pelo site ou aplicativo Meu INSS, utilizando o número do PIS ou NIT.
Planejamento é a chave
Antes de iniciar os pagamentos, o planejamento é fundamental. Escolher o código de contribuição errado ou realizar pagamentos abaixo do mínimo exigido pode gerar problemas na hora de solicitar o benefício.
A recomendação é que o trabalhador utilize o portal “Meu INSS” para simular o tempo de contribuição e entender qual alíquota melhor se adapta à sua realidade financeira e expectativa de renda futura.