sábado,
24 de janeiro de 2026

O debate sobre a jornada 6×1: impacto e mudanças na sociedade

Proposta de redução da carga horária semanal ganha fôlego em 2026, mas esbarra em riscos de inflação.

Desde que o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) passou a dominar a pauta legislativa e as redes sociais, o Brasil se vê diante de um dilema estrutural. 

A proposta de reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas sem redução salarial não é apenas uma mudança de rotina, mas uma alteração profunda na engrenagem econômica do país.

De um lado, trabalhadores e sindicatos defendem a medida como um avanço civilizatório necessário para a saúde mental e a convivência familiar. De outro, o setor produtivo alerta para o impacto direto nos custos operacionais, especialmente em serviços e no comércio, onde a presença física é indispensável.

O custo da hora e o risco do repasse

A redução de carga horária proposta representa, na prática, uma elevação no valor da hora trabalhada. 

Segundo análises econômicas, o custo da mão de obra pode encarecer em até 22%. Para pequenas e médias empresas que operam com margens estreitas, o equilíbrio financeiro é frágil.

O receio de especialistas é que esse aumento gere um “efeito cascata”:

  • Inflação: Repasse do aumento de custos para os preços finais ao consumidor.
  • Informalidade: Migração de postos de trabalho CLT para contratos precários.
  • Substituição: Aceleração da automação para reduzir a dependência de mão de obra humana.

O “nó” da produtividade brasileira

O ponto central que trava o avanço da medida é a baixa produtividade nacional. Dados da Conference Board mostram que o Brasil está estagnado há 30 anos. Atualmente, o país ocupa a 78ª posição em um ranking de 131 nações, ficando atrás de vizinhos como Uruguai, Argentina e Chile.

Diferente de países como Noruega e Dinamarca, que adotam jornadas reduzidas com alto desempenho, o Brasil ainda lida com gargalos infraestruturais, burocracia excessiva e baixa qualificação profissional.

Sem o aumento da eficiência, a redução da jornada corre o risco de se tornar um aumento de custo sem contrapartida de geração de riqueza.

O fator renda

Um fenômeno observado em países que reduziram a jornada é o chamado “duplo emprego”. Sem o aumento do poder de compra real, muitos trabalhadores podem usar o tempo livre para buscar “bicos” ou atividades extras. 

Assim, o objetivo de proporcionar mais descanso acabaria sendo substituído pela busca por complementação de renda, mantendo o indivíduo sobrecarregado.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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