Os casos de fraudes envolvendo o banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começaram em governos que, segundo o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho, não detectavam corrupção.
A declaração foi feita nesta semana, durante participação no programa “Bom dia, ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
De acordo com o ministro, a revelação dos casos está ligada à atuação dos órgãos de controle e investigação no atual governo.
Comparação com exame médico
Durante a entrevista, Vinicius de Carvalho comparou o combate à corrupção ao funcionamento de um aparelho de ressonância magnética.
Ele explicou que uma cidade que possui o equipamento identifica doenças e registra casos. Já uma cidade que não dispõe da tecnologia pode afirmar que não há doentes simplesmente porque não investiga.
“O governo do presidente Lula é o governo em que tem ressonância magnética, é o governo em que as pessoas podem ter certeza que a CGU faz o seu trabalho, a Polícia Federal faz o seu trabalho, a receita federal faz o seu trabalho e todos os órgãos responsáveis por controle, fiscalização e investigação fazem o seu trabalho”, disse.
Lula, Bolsonaro e o tema da corrupção
O ministro afirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não politiza o combate à corrupção. Segundo ele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falava com frequência sobre o tema, mas não adotava medidas efetivas.
“É melhor um presidente que não politiza o tema da corrupção, como o presidente Lula não politiza e deixa as instituições trabalharem, do que um presidente que fala de corrupção todo dia como a gente tinha no Brasil e não fazia nada, não enfrentava o tema na verdade”, completou.
Pesquisa da OCDE e percepção de corrupção
Vinicius de Carvalho também citou resultados de uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que indicaria maior confiança dos brasileiros no setor público e no combate à corrupção.
Ao mesmo tempo, ele criticou levantamentos que medem apenas a percepção da população sobre o tema e apontam aumento nesse indicador.
“Se o índice ao detectar uma percepção pior da população sobre corrupção está detectando que na verdade isso está acontecendo por conta desses casos que estão sendo descobertos, o índice tem que ser discutido, tem que ser debatido”, disse ele.
“Porque o índice pode premiar a cidade que não tem ressonância magnética e qual é o sentido disso, qual é a utilidade disso”, disse.
O ministro defendeu que os indicadores sejam analisados à luz das investigações em andamento e da atuação dos órgãos de controle.