sexta-feira,
6 de fevereiro de 2026

Por que o INSS decidiu não renovar acordo com o Banco Master

INSS explica por que não renovou acordo com o Banco Master após identificar falhas e reclamações em contratos de crédito consignado

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) decidiu não renovar o acordo de cooperação técnica com o Banco Master após identificar falhas em contratos de crédito consignado de aposentados e pensionistas. 

Segundo o presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, a medida foi tomada antes mesmo da liquidação da instituição financeira.

Decisão ocorreu antes da liquidação do banco

De acordo com Waller Júnior, o INSS já vinha monitorando a atuação do Banco Master antes de qualquer manifestação de órgãos de controle. O dirigente afirmou que a preocupação central era proteger aposentados e pensionistas diante de indícios de irregularidades.

Ele ressaltou que a decisão de não renovar o acordo foi adotada antes da liquidação do banco e que a orientação do governo foi realizar um “pente-fino” nos contratos de crédito consignado.

INSS diz que não houve reunião com o controlador

O presidente do INSS afirmou que nunca se reuniu com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e antecipou questionamentos sobre o tema.

“Já para avisar, o [Daniel] Vorcaro nunca foi ao INSS, porque eu sei que essa pergunta vão fazer. Eu nunca fiz uma reunião com o Vocaro.”

Segundo Waller Júnior, as reuniões entre o INSS e o banco ocorreram apenas após a decisão de não renovar o acordo de cooperação técnica.

Contratos fora da base da Dataprev chamaram atenção

O acordo entre o INSS e o Banco Master havia sido firmado em 2020, com validade de cinco anos, e venceu em 18 de setembro. Antes disso, o instituto identificou problemas no envio de dados.

Dos 324.849 contratos de crédito consignado firmados pelo banco, cerca de 251 mil não haviam sido inseridos na plataforma da Dataprev. A ausência dos registros impedia a checagem das informações pelo INSS.

Diante desse cenário, o órgão optou por não renovar o acordo.

Reclamações e inconsistências motivaram a decisão

Waller Júnior afirmou que o alto volume de reclamações de aposentados e pensionistas também pesou na decisão. O INSS identificou inconsistências nos contratos e passou a questionar a regularidade das operações.

Após a comunicação formal da não renovação, feita em 8 de outubro, o banco não procurou o instituto para negociar ou tratar da carteira de contratos já existente. Segundo o presidente do INSS, essa falta de reação chamou a atenção da equipe técnica.

Tentativa de acordo não avançou

As reuniões entre o INSS e o Banco Master ocorreram apenas no fim de outubro. Em encontros realizados nos dias 31 de outubro e 10 de novembro, o banco tentou firmar um termo de compromisso e informou ter regularizado o envio dos contratos, restando cerca de 3 mil pendentes.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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