O sistema de identificação no Brasil atravessa sua maior transformação em décadas. A Nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), que começou a ser implementada gradualmente, já é uma realidade em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.
O documento chega com a missão de aposentar o antigo Registro Geral (RG) e unificar o país sob um único número: o CPF. A mudança não é apenas estética ou burocrática.
Trata-se de uma estratégia de segurança nacional e modernização do acesso a serviços públicos que impacta diretamente a vida de milhões de brasileiros neste início de 2026.
Fim da fragmentação e mais segurança
Historicamente, o Brasil permitia que um cidadão emitisse um número de RG diferente em cada um dos 26 estados e no Distrito Federal. Essa fragmentação abria brechas para fraudes ideológicas, onde uma mesma pessoa poderia ter múltiplas identidades para fins ilícitos. Com a CIN, o CPF passa a ser o único indexador.
O novo documento conta com elementos de segurança modernos, como um QR Code que permite a validação imediata da autenticidade por autoridades e órgãos públicos, além de seguir o padrão internacional MRZ, o mesmo utilizado em passaportes, facilitando inclusive o uso em viagens para países do Mercosul.
Integração digital
Para o trabalhador e o aposentado, a vantagem é a centralidade. A CIN nasce integrada ao portal gov.br, funcionando como a “chave mestra” para o acesso a benefícios do INSS, consultas ao SUS, saque de programas sociais como o Bolsa Família e movimentações no Caixa Tem.
Em 2026, novas diretrizes de segurança cibernética tornam a biometria da CIN um requisito cada vez mais presente para evitar o bloqueio de contas e garantir que o pagamento chegue, de fato, às mãos de quem tem direito.
Prazo de validade do modelo antigo
Uma das principais dúvidas da população diz respeito à obrigatoriedade. O governo federal estabeleceu um cronograma de transição generoso: o RG tradicional continuará sendo aceito em todo o território nacional até o dia 1º de março de 2032.
No entanto, órgãos de identificação recomendam que o cidadão não deixe a troca para a última hora. A prioridade na emissão atual é para quem está com o documento vencido ou precisa de uma segunda via, mas qualquer brasileiro com o CPF regularizado já pode solicitar a atualização.
Como emitir e o que é necessário
A primeira via da Carteira de Identidade Nacional é gratuita para todos os cidadãos, em cumprimento à Lei Federal. Para solicitar, é necessário agendar o atendimento nos institutos de identificação estaduais (como o Poupatempo em SP, o Detran no RJ, ou órgãos equivalentes em outras regiões).
No dia do atendimento, é obrigatório apresentar a Certidão de Nascimento ou de Casamento original ou cópia autenticada. É fundamental que o CPF esteja regular junto à Receita Federal; caso haja inconsistências nos dados cadastrais, o sistema pode impedir a emissão até que a pendência seja resolvida.
Após a entrega do documento físico, o cidadão pode baixar o aplicativo gov.br para ativar a versão digital, que possui o mesmo valor jurídico da cédula de papel ou policarbonato.