Lula cobra abertura de sigilos de Flávio e defende Bolsa Família em reta final da eleição
Na reta final da disputa presidencial, Lula pressiona Flávio Bolsonaro a esclarecer suspeitas financeiras e tenta garantir que os benefícios sociais não sejam ameaçados. A campanha petista também resgatou declarações antigas do senador sobre programas de transferência de renda.

A estratégia de campanha de Lula para pressionar Flávio Bolsonaro combina a cobrança pela abertura de sigilos bancários e telefônicos com questionamentos sobre o futuro do Bolsa Família.
As iniciativas buscam respostas do candidato do PL sobre suspeitas financeiras e suas propostas econômicas, especialmente diante das dúvidas sobre como pretende equilibrar as contas públicas sem comprometer a proteção social.
Lula desafia Flávio a abrir sigilos bancários
Durante debate realizado pela Band no domingo (18), Lula propôs que os dois candidatos autorizassem a abertura de seus sigilos e dos dados de suas famílias, após trocarem acusações relacionadas à corrupção.
Flávio questionou a relação entre a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Ambos são investigados em inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.
Lula, por sua vez, cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões solicitados por Flávio ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador é investigado no inquérito relacionado ao caso, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Após o debate, Lula afirmou que entregaria à Justiça Eleitoral uma autorização para abrir seus sigilos bancários e os de seus cinco filhos. O presidente desafiou o adversário a fazer o mesmo, para que as informações fossem investigadas e divulgadas.
Flávio não respondeu diretamente ao desafio durante o debate. Depois, ironizou a proposta de abertura do sigilo telefônico e afirmou que seus bens estão declarados à Receita Federal.
Proposta sobre o Bolsa Família gera debate
Outro foco da disputa é o futuro do Bolsa Família. A campanha de Lula passou a questionar a proposta apresentada por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, sobre a ampliação do período de transição para beneficiários que conseguirem emprego formal ou abrirem um negócio.
A proposta prevê um período de dois anos e a possibilidade de retorno ao programa caso a nova fonte de renda não se sustente. Daniella afirmou que a intenção é estimular o emprego e o empreendedorismo, e não acabar com o benefício.
Apesar disso, integrantes da campanha petista passaram a apresentar a proposta como uma possível interrupção do pagamento após dois anos. Daniella rebateu essa interpretação e afirmou que a ideia é ampliar o período de proteção existente.
Flávio também negou nas redes sociais que pretenda acabar com o Bolsa Família e acusou Lula de divulgar informações falsas.
Declarações antigas de Flávio voltam à campanha
A militância petista também recuperou publicações antigas de Flávio Bolsonaro nas quais ele criticava programas de transferência de renda. Em uma postagem de novembro de 2011, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, o senador chamou um programa estadual de distribuição de renda de “bolsa-farelo”.
Segundo a reportagem, as publicações foram apagadas. A campanha do candidato do PL não se manifestou quando questionada sobre a exclusão do conteúdo e as declarações antigas.
A disputa sobre o Bolsa Família ocorre em meio à discussão sobre o papel dos programas sociais e o impacto de eventuais mudanças nas famílias de baixa renda.
Disputa entra na reta final
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a campanha de Lula tenta manter a pressão sobre Flávio em dois temas: a transparência financeira e a continuidade da proteção social.
A cobrança pela abertura dos sigilos busca obter esclarecimentos sobre suspeitas investigadas, enquanto o debate sobre o Bolsa Família coloca em evidência as diferenças entre as propostas econômicas dos candidatos.
Até a noite de segunda-feira (19), Flávio não havia respondido ao novo desafio de Lula sobre a abertura dos sigilos. O tema também poderia voltar ao centro da disputa no debate da TV Globo, previsto para sexta-feira (23).
