Sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Trabalho infantil cai no Brasil e redução é maior entre beneficiários do Bolsa Família

O Brasil registrou, em 2025, o menor índice de trabalho infantil desde o início da série histórica, em 2016. Apesar da redução, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos ainda estavam nessa situação, segundo o IBGE.

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Trabalho infantil cai no Brasil e redução é maior entre beneficiários do Bolsa Família

A queda do trabalho infantil no Brasil foi mais intensa entre famílias que recebem o Bolsa Família, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 16 de outubro de 2026. O número de crianças e adolescentes nessa condição diminuiu 9,2% no país entre 2024 e 2025, enquanto a redução chegou a 20,1% nos domicílios atendidos pelo programa social.

Quantas crianças e adolescentes ainda trabalham no Brasil?

Em 2025, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil no Brasil. Embora o resultado represente o menor número da série histórica iniciada em 2016, o país não atingiu a meta de erradicação prevista nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelecia o fim dessa prática até 2025.

De acordo com o IBGE, a proporção de crianças e adolescentes nessa situação caiu de 4,3% em 2024 para 4% em 2025. Em números absolutos, o contingente passou de 1,65 milhão para aproximadamente 1,5 milhão, uma redução de 151 mil pessoas.

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Os indicadores também ficaram abaixo dos resultados de 2023, quando 4,2% da população de 5 a 17 anos, ou cerca de 1,62 milhão de pessoas, estava em situação de trabalho infantil.

Como o Bolsa Família se relaciona com a redução do trabalho infantil?

Nos domicílios que recebem o Bolsa Família, o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil caiu de 717 mil em 2024 para 573 mil em 2025. A redução foi de 144 mil pessoas, equivalente a 20,1%.

Segundo os dados do IBGE, esse grupo respondeu por mais de 95% da diminuição total registrada no país no período. A proporção de crianças e adolescentes nessa condição entre os beneficiários também recuou, passando de 5,2% para 4,4%.

Apesar da melhora, o índice entre as famílias atendidas pelo programa continuou acima da taxa nacional, de 4%. A diferença, entretanto, vem diminuindo: em 2016, era de 2,1 pontos percentuais.

O Bolsa Família pode contribuir para combater o trabalho infantil?

O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes afirmou que a redução pode estar associada a uma combinação de fatores, incluindo os efeitos do Bolsa Família, as políticas públicas de combate ao trabalho infantil e a recuperação do emprego e da renda dos responsáveis pelas crianças.

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O técnico destacou que o programa exige compromissos relacionados à frequência escolar dos menores. Essa condicionalidade pode contribuir para manter crianças e adolescentes vinculados à educação.

Em dezembro de 2025, o Bolsa Família atendia 18,7 milhões de famílias, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. O total representava uma redução de 10,1% em relação ao mesmo mês de 2024, quando eram 20,8 milhões de famílias.

O ministério atribui a diminuição do número de beneficiários a fatores como o aumento da renda por outras fontes, a modernização do Cadastro Único e a atualização das regras de transição.

É possível continuar recebendo o Bolsa Família enquanto se trabalha, desde que sejam respeitadas as regras do programa. Entre os critérios apresentados na reportagem está o limite de renda familiar mensal por pessoa de R$ 218, observadas as normas aplicáveis a cada situação.

O que é considerado trabalho infantil pelo IBGE?

A Pnad Contínua considera atividades econômicas e de autoconsumo para identificar situações de trabalho infantil. O autoconsumo inclui, por exemplo, a criação de animais, a caça e o cultivo de alimentos para uso do próprio domicílio ou de familiares.

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A classificação leva em conta as regras da legislação brasileira, que estabelece limites de idade e condições específicas para o trabalho de adolescentes:

  • Até 13 anos: o trabalho é proibido, e crianças nessa faixa etária que realizam atividades econômicas ou de autoconsumo são consideradas em situação de trabalho infantil pela pesquisa

  • Entre 14 e 15 anos: o trabalho é permitido apenas na condição de aprendiz

  • Entre 16 e 17 anos: o trabalho é permitido, desde que respeitadas as restrições legais, como a proibição de atividades insalubres e do trabalho noturno

O IBGE esclarece que tarefas domésticas não remuneradas e atividades de cuidado de pessoas não entram nessa definição. Em 2025, 15,9 milhões de pessoas de 5 a 17 anos, o equivalente a 42,1% dessa população, realizavam tarefas domésticas ou de cuidado sem remuneração.

A pesquisa é feita a partir de visitas a uma amostra representativa de domicílios. Como as informações são fornecidas pelos responsáveis pelas famílias, o IBGE ressalta que pode haver subnotificação, já que nem todos os casos são necessariamente informados pelos adultos entrevistados.

Por que o trabalho infantil continua sendo um problema?

Mesmo com a redução dos indicadores, entidades de proteção à infância alertam que os números ainda representam uma violação de direitos.

Em nota, a Fundação Abrinq afirmou que a queda não deve ser confundida com a superação do problema. A entidade defende a continuidade das políticas públicas de proteção, o fortalecimento da fiscalização e a garantia de acesso e permanência das crianças e dos adolescentes na escola.

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A fundação também destaca a importância de não naturalizar práticas que violem os direitos da infância. Ao mesmo tempo, ressalta que combater o trabalho infantil não significa impedir que adolescentes tenham contato com o mundo profissional: a aprendizagem e outras formas de inserção permitidas por lei devem ocorrer de maneira protegida e compatível com a idade.

Os dados divulgados pelo IBGE indicam um avanço, mas mostram que o desafio permanece. A redução sustentável depende de políticas de proteção social, fiscalização, educação e condições econômicas que diminuam a necessidade de crianças e adolescentes trabalharem.

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