quarta-feira,
1 de abril de 2026

Câmara acelera projeto que amplia faturamento e contratações para o MEI

Proposta visa aumentar o limite de faturamento para até R$ 130 mil

A Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o projeto de lei que visa reformular os limites do Microempreendedor Individual (MEI). 

A medida, que agora tramita com prioridade, busca atualizar as regras de um setor que se tornou um dos pilares da economia brasileira, mas que enfrenta o sufoco da defasagem inflacionária.

A principal mudança prevista no texto é a elevação do teto de faturamento anual, que passaria dos atuais R$ 81 mil para R$ 130 mil. O reajuste é uma resposta direta a um congelamento que já dura cerca de nove anos. 

Durante esse período, o aumento dos custos operacionais e a inflação reduziram a margem de manobra dos pequenos empresários, forçando muitos a migrar para regimes tributários mais complexos ou a frear o próprio crescimento para não perder o enquadramento simplificado.

Inclusão produtiva e direitos previdenciários

Criado em 2008 para tirar da informalidade milhões de trabalhadores autônomos, o modelo de Microempreendedor Individual tornou-se a porta de entrada para o empreendedorismo legal no Brasil. 

Ao se registrar, o profissional passa a ter um CNPJ, garantindo o direito de emitir notas fiscais e o acesso a benefícios previdenciários essenciais, como aposentadoria por idade, auxílio-doença e licença-maternidade. 

A grande vantagem reside na tributação simplificada: em vez de diversos impostos calculados sobre o faturamento, o MEI paga apenas uma taxa mensal fixa, o DAS, que inclui a contribuição ao INSS e tributos municipais ou estaduais (ISS/ICMS).

Um histórico de pressão e necessidade

O debate sobre a atualização desses valores não é recente e reflete uma luta de quase uma década entre entidades de classe e o Legislativo.

O projeto original, que propõe o salto para os R$ 130 mil, já percorreu um longo caminho de negociações no Congresso, enfrentando barreiras fiscais e discussões sobre o impacto na arrecadação federal. 

Especialistas apontam que, sem o reajuste, o programa corre o risco de exclusão por “sucesso”: muitos empreendedores crescem apenas o suficiente para ultrapassar o teto atual, mas não o bastante para suportar a carga tributária de uma Microempresa (ME), criando um “limbo” que desestimula a produtividade nacional.

Mais funcionários

Além do fôlego financeiro, a proposta traz um avanço significativo para a gestão de pessoal: a possibilidade de contratação de um segundo funcionário. 

Atualmente, o MEI está restrito a apenas um colaborador, o que limita a capacidade produtiva e a geração de empregos diretos dentro do modelo. 

A flexibilização é vista por especialistas como um incentivo crucial à formalização e à segurança jurídica para quem deseja expandir o negócio sem burocracia excessiva.

Caminho até a vigência

Apesar do status de urgência, a nova regra ainda não está em vigor. O projeto, que já passou pelo Senado, retornou à Câmara para uma votação definitiva e célere. Após essa etapa, o texto ainda dependerá da sanção do Governo Federal para se tornar lei.

Até que o processo seja concluído e a sanção publicada, os microempreendedores brasileiros devem continuar seguindo rigorosamente os critérios atuais.

Isso significa respeitar o limite de R$ 81 mil anuais e a manutenção de apenas um funcionário com carteira assinada.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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