O Microempreendedor Individual (MEI) sempre foi o caminho mais simples para quem quer ser dono do próprio nariz no Brasil. No entanto, em 2026, esse caminho ganhou novas sinalizações.
Entre o aumento do custo mensal e as discussões sobre o quanto se pode vender por ano, o empreendedor precisa estar mais atento do que nunca para não cair em armadilhas burocráticas.
Novo Valor do Boleto Mensal
A primeira mudança que todo MEI sentiu logo no início do ano foi no valor do DAS, aquele boleto mensal que garante a regularidade do negócio e os direitos previdenciários. Como esse valor é calculado com base no salário-mínimo, o reajuste para R$ 1.621 elevou a contribuição.
Hoje, a maioria dos microempreendedores paga entre R$ 82,05 e R$ 87,05, dependendo se atua com comércio, indústria ou serviços. Pode parecer um aumento pequeno, mas para quem vive no limite do orçamento, cada real conta.
É o preço para garantir a aposentadoria, o auxílio-doença e a licença-maternidade em um cenário econômico que ainda busca estabilidade.
Teto de Faturamento
Se tem um assunto que tira o sono de quem está crescendo, é o limite de faturamento. Durante anos, o teto de R$ 81 mil anuais foi visto como uma barreira que impedia o crescimento.
Em 2026, o debate no Congresso Nacional sobre a elevação para R$ 150 mil ganhou força total, mas o empreendedor ainda deve agir com cautela.
Enquanto a nova lei não é aplicada integralmente com todas as suas faixas de transição, o limite oficial de R$ 81 mil ainda serve de baliza para a fiscalização.
O risco de ultrapassar esse valor sem planejamento é o “desenquadramento”, que obriga o pequeno negócio a pagar impostos muito mais caros e de forma retroativa. A regra de ouro para este ano é: acompanhe suas vendas mês a mês, sem esperar pelo fim do ano.
Reforma Tributária e a Nota Fiscal
Você provavelmente já ouviu falar da Reforma Tributária. Em 2026, ela começou a aparecer na prática, mas ainda de um jeito discreto para o MEI.
O regime continua sendo simplificado, ou seja, você não paga mais impostos por causa da reforma agora, mas o sistema de emissão de notas fiscais mudou para exibir os novos impostos (IBS e CBS).
Essa é uma fase de aprendizado. O governo quer que o microempreendedor se acostume com a nova estrutura antes que as regras mudem para valer nos próximos anos.
Além disso, a Receita Federal está usando tecnologias mais potentes para cruzar dados. Se você recebe pagamentos pelo Pix na sua conta de pessoa física, mas as vendas são da empresa, o sinal de alerta acendeu.
A separação entre o dinheiro do “eu” e o dinheiro da “empresa” nunca foi tão cobrada.
Quem Pode e Quem Não Pode Ser MEI?
Outro ponto importante em 2026 é a lista de atividades permitidas. Algumas profissões que antes eram aceitas foram excluídas por serem consideradas de alta periculosidade ou por exigirem formações técnicas que não se encaixam mais no perfil de “trabalho por conta própria simplificado”.
Por outro lado, surgem discussões sobre o “Nanoempreendedor”, uma categoria ainda menor para quem fatura pouco e quer apenas sair da informalidade com o mínimo de custo possível. O objetivo é evitar que o MEI se torne um depósito de profissões que deveriam estar em regimes de tributação mais robustos.
Conclusão
O recado de 2026 é claro: a era do “jeitinho” no MEI acabou. Com a digitalização total dos impostos e o monitoramento em tempo real, o sucesso do pequeno negócio depende de organização.
O MEI continua sendo uma ferramenta incrível de cidadania e renda, mas exige que o empreendedor seja, acima de tudo, um bom gestor da sua própria burocracia.