Embora os índices de emprego formal indiquem uma economia estável, um movimento discreto está emergindo e alterando a compreensão do trabalho no Rio Grande do Sul.
Nos últimos anos, o microempreendedorismo individual, conhecido como MEI, estabeleceu-se como uma opção viável para aqueles que buscam aumentar sua renda, experimentar novas ideias de negócio ou atingir maior independência profissional.
Dados da Junta Comercial mostram que em 2025, 298.677 microempreendedores individuais foram registrados no estado, representando um crescimento superior a 21% em comparação com 2024. Em contraste, 186 mil empresas encerraram suas atividades.
Ainda assim, o resultado é encorajador: há 112.092 negócios ativos a mais do que no ano anterior, um crescimento próximo a 18%.
O que justifica esse fenômeno em um período claramente benéfico, com a taxa de desemprego em um recorde de 5,1%, o nível mais baixo desde 2012?
Essas estatísticas vão além dos números frios; elas revelam uma transformação significativa. O MEI já não é apenas uma opção para quem se vê sem emprego formal, mas tornou-se um caminho para a autonomia, o planejamento e novas oportunidades.
Atualmente, os trabalhadores apresentam um perfil diversificado: alguns buscam complementar sua renda, equilibrar suas finanças ou manter uma atividade produtiva adicional.
Essa dinâmica se reflete também na taxa de abertura e fechamento de empresas. Embora tenha havido um aumento de 23% nas extinções em 2025, o saldo líquido positivo sugere que a tendência geral é de expansão.
Essa situação não é exclusiva de Porto Alegre. A capital representa 17% das novas empresas, enquanto essa movimentação se estende a cidades de médio e pequeno porte, especialmente em locais onde serviços locais e comércio são fundamentais para a economia.
Para muitos, registrar-se como MEI significa a chance de formalizar atividades que antes estavam à margem da economia, permitindo a emissão de notas fiscais, o acesso ao crédito e a benefícios previdenciários.
Vantagens e flexibilidade
Empresas surgem e se encerram em resposta às demandas do mercado, mudanças nos hábitos de consumo e oportunidades em diferentes setores, mas o panorama final indica uma economia em constante renovação, fazendo ajustes conforme necessário.
Além de estimular a economia, o MEI se tornou uma ferramenta de inclusão produtiva. Indivíduos que antes atuavam de maneira informal, sem direitos básicos, agora têm a oportunidade de formalizar suas atividades, criar um histórico empresarial e planejar seu crescimento.
A formalização permite acesso a contas especiais, linhas de crédito, emissão de notas fiscais e cobertura previdenciária, reforçando o reconhecimento do trabalhador como empresário e ampliando sua autonomia financeira.
O processo é simples e de baixo custo, mas requer planejamento e compreensão acerca das obrigações fiscais, previdenciárias e administrativas.
Ainda assim, muitos novos microempreendedores costumam se surpreender com as responsabilidades e prazos associados, o que pode levar a dificuldades na gestão de contratos e contas bancárias.
Portanto, o suporte de uma consultoria pode ser benéfico. Existem, inclusive, auxílios gratuitos disponíveis.