Novo teto do MEI: vale a pena sair do Simples Nacional?
O aumento do limite de faturamento do MEI pode reduzir os impostos de pequenos negócios, mas a mudança exige atenção às atividades permitidas, aos custos e às perspectivas de crescimento.

O novo limite de faturamento do MEI será de R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028. A mudança abre a possibilidade de enquadramento para empreendedores que hoje estão no Simples Nacional, mas a migração nem sempre será vantajosa.
Quanto é possível economizar ao mudar para o MEI?
Uma simulação apresentada pelo advogado e contador Adriano Santos, do Bergamini Advogados, mostra a diferença entre os regimes para uma empresa de serviços que fatura R$ 10 mil por mês.
Considerando as alíquotas utilizadas no cálculo, os custos seriam:
Simples Nacional: R$ 7.200 por ano em impostos
MEI: R$ 1.032,60 por ano, considerando a contribuição mensal atual de R$ 86,05
A economia estimada seria de R$ 6.167,40 por ano. Os valores do MEI, porém, devem aumentar conforme os reajustes anuais do salário mínimo.
A simulação considera uma empresa enquadrada no Anexo III do Simples Nacional e utiliza os valores atuais de contribuição do MEI, não uma previsão definitiva para 2028.
Quem pode sair do Simples Nacional e virar MEI?
A mudança depende do cumprimento de requisitos específicos. Entre as condições estão:
Ser empresário individual, sem participação como sócio ou titular de outra empresa;
Exercer uma atividade permitida no MEI;
Não possuir filial;
Respeitar o limite de faturamento anual vigente;
Atender às demais regras de enquadramento.
Profissões regulamentadas, como advocacia, medicina e engenharia, em geral não podem ser enquadradas como MEI. Já atividades como cabeleireiro, manicure, eletricista e fotógrafo estão entre as ocupações que podem ser permitidas, conforme a lista oficial.
Além disso, o limite de faturamento considera o ano anterior ao enquadramento. Quem faturar R$ 120 mil em 2026, por exemplo, não poderá migrar em 2027 pelo novo teto de R$ 110 mil. Se faturar até R$ 140 mil em 2027 e cumprir os demais requisitos, poderá avaliar a entrada no regime em 2028.
Quais são as desvantagens de virar MEI?
Apesar da redução dos impostos, o MEI tem limitações que precisam ser consideradas antes da mudança, como:
Contratação de funcionários: a nova regra prevê até dois empregados para o MEI. No Simples Nacional, não há um limite geral de funcionários aplicável a todas as empresas;
Faturamento acima do teto: ultrapassar o limite pode gerar tributação adicional e desenquadramento. A regra atual prevê tolerância de até 20%, mas o tratamento depende do valor excedido e das circunstâncias;
Créditos tributários: empresas do Simples poderão optar por recolher IBS e CBS fora da guia única, conforme as regras da reforma tributária. Essa possibilidade permite gerar créditos tributários para clientes empresariais e recuperar créditos de determinadas compras. O MEI não terá essa opção, o que pode afetar negócios que vendem para outras empresas;
Previdência: a contribuição do MEI inclui o INSS. No Simples, a situação previdenciária do empreendedor depende, entre outros fatores, do pró-labore e dos recolhimentos correspondentes.
Afinal, vale a pena migrar para o MEI?
A ampliação do limite pode ser vantajosa para pequenos empreendedores que atendam aos requisitos e desejem reduzir os custos tributários. Entretanto, a decisão não deve considerar apenas o valor da guia mensal.
É importante avaliar o faturamento, a atividade exercida, a necessidade de contratar funcionários, o perfil dos clientes e os planos de crescimento da empresa.
Antes de solicitar a mudança, o ideal é consultar um contador para comparar os custos e verificar se o MEI realmente oferece a melhor opção para o negócio.
