Mesmo com o desemprego em queda e atingindo 5,1% em 2025, o microempreendedorismo individual segue em expansão no Rio Grande do Sul.
Dados da Junta Comercial mostram que o número de MEIs cresceu de forma consistente no Estado, indicando uma mudança no modo como muitos trabalhadores encaram o mercado de trabalho.
Em 2025, foram formalizados 298.677 microempreendedores individuais no Rio Grande do Sul.
O total representa um avanço superior a 21% em relação a 2024 e reforça o papel do MEI como alternativa de renda, autonomia e organização profissional.
Crescimento do MEI supera fechamento de empresas
Apesar do aumento no número de empresas que encerraram atividades, o saldo geral segue positivo.
Ao longo de 2025, cerca de 186 mil negócios foram extintos no Estado. Ainda assim, o resultado final aponta para 112.092 empresas ativas a mais do que no ano anterior, um crescimento próximo de 18%.
O cenário revela uma economia em movimento, com abertura e fechamento de empresas ocorrendo de forma simultânea, mas com predominância de expansão.
Autonomia ganha espaço no mercado de trabalho
O avanço do MEI não está ligado apenas à falta de vagas formais. Cada vez mais trabalhadores optam por empreender mesmo em um ambiente de baixo desemprego. A escolha envolve fatores como flexibilidade, possibilidade de complementar renda e maior controle sobre a rotina profissional.
Segundo a especialista em Microempreendedorismo Individual do Sebrae RS, Giulia Mattos, o fenômeno representa uma mudança estrutural.
“Estamos falando de mudança profunda nas relações de trabalho. O MEI, apesar de relativamente jovem, com cerca de 20 anos, deixa de ser apenas instrumento de inclusão social e passa a ocupar espaço estratégico na economia”, afirma.
Interior também impulsiona novas formalizações
O crescimento do microempreendedorismo não se concentra apenas na capital. Porto Alegre responde por 17% das novas empresas abertas em 2025, mas o avanço se espalha por cidades médias e pequenas.
Nesses municípios, serviços de proximidade e o comércio local funcionam como motores da economia. Para muitos trabalhadores, formalizar-se como MEI é a chance de regularizar atividades que antes estavam à margem do mercado formal.
Benefícios atraem trabalhadores formais e informais
A formalização como microempreendedor individual garante acesso a ferramentas que ampliam a segurança financeira. Entre os principais benefícios estão a possibilidade de emitir notas fiscais, acessar linhas de crédito, abrir contas bancárias específicas e contar com cobertura previdenciária.
O registro é feito pelo portal do governo federal, no gov.br, que gera automaticamente CNPJ, inscrição na Junta Comercial e alvará simplificado.
Flexibilidade pesa na decisão profissional
A decisão entre manter um emprego formal ou empreender deixou de ser automática. De acordo com Giulia Mattos, fatores como salário, benefícios, carga horária e tributação entram no cálculo do trabalhador.
“Nenhuma vaga formal é atrativa por si só. O MEI entra nessa equação como alternativa possível, seja como renda complementar, seja como escolha principal”, explica a especialista.