Consignado do Auxílio: Bolsonaro pede diminuição dos juros

O presidente Jair Bolsonaro (PL) participou nesta segunda-feira (8) de um almoço com banqueiros e representantes de instituições financeiras do país. Como adiantado por veículos de imprensa, o chefe de estado pediu para que os bancos ofereçam o crédito consignado do Auxílio Brasil, e também apelou para uma diminuição dos juros.

Em tese, nenhum banco é obrigado a oferecer o consignado do Auxílio Brasil. Além disso, caso a instituição decida oferecer o crédito, é o próprio banco que decide qual a taxa de juros. Nos últimos dias, algumas financeiras já estavam oferecendo o empréstimo a uma taxa de 79% ao ano. O valor pode contribuir com o endividamento dos mais pobres.

Ainda não é possível saber qual foi o efeito do apelo de Bolsonaro sobre os bancos. A tendência natural é que a recepção do pedido seja mista, assim como já acontecia antes do encontro. Até aqui, alguns bancos já adiantaram que irão oferecer o consignado do Auxílio Brasil, enquanto outros já confirmaram que não farão nada.

O consignado do benefício já foi oficialmente sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro e aprovado pela Câmara dos Deputados e também pelo Senado Federal. Agora, resta apenas a regulamentação do texto pelo Ministério da Cidadania. Ainda não há uma previsão de data para a divulgação deste novo documento.

Qualquer cidadão que faz parte da folha de pagamentos do Auxílio Brasil pode solicitar o consignado do programa. A quitação da dívida acontece automaticamente na forma de descontos mensais de até 40% nas parcelas do benefício. Assim, o cidadão passa a receber um depósito menor até que consiga pagar todo o montante.

Preocupação com o consignado

Nos últimos dias, organizações da sociedade civil enviaram textos oficiais ao presidente Jair Bolsonaro sobre o tema. Em geral, eles pediram para que o chefe de estado não sancionasse a ideia, pois, de acordo com eles, o consignado poderia ser prejudicial aos mais pobres.

Esta também parece ser a opinião de representantes do banco Bradesco. Em declaração nesta semana, o presidente da instituição, Octavio de Lazari Júnior, já adiantou que não vai oferecer crédito para o público mais humilde.

“Não se trata de uma aposentadoria ou pensão, mas um benefício a pessoas que estão em dificuldades. Portanto, o Bradesco não vai operar nessa carteira. Estamos falando de pessoas vulneráveis”, disse Lazari Júnior durante um evento do banco.

“Em vez de ser uma boa operação para o banco e para o cliente, entendemos que a pessoa terá mais dificuldade quando o benefício cessar, e, por isso, preferimos não operar”, completou ele na mesma ocasião.

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