sexta-feira,
9 de janeiro de 2026

INSS: STF forma maioria e derruba revisão da vida toda

STF forma maioria para invalidar a revisão da vida toda do INSS e define que beneficiários não terão de devolver valores recebidos até abril de 2024

A discussão sobre a revisão da vida toda do INSS ganhou um novo capítulo. A maioria do STF decidiu, no plenário virtual, que a tese não deve mais valer. 

A mudança altera o cenário criado nos últimos anos, quando muitos segurados chegaram a obter decisões favoráveis com base no entendimento anterior da Corte.

Com o novo posicionamento, os valores pagos até abril de 2024 permanecem com os beneficiários, sem exigência de devolução. 

A decisão foi construída a partir do voto do relator, Alexandre de Moraes, que revisou seu posicionamento e foi acompanhado pela maior parte dos ministros.

Decisão afeta pedidos em andamento

A formação da maioria — 6 votos a 2 — invalida de forma ampla a revisão da vida toda no INSS. O relator recebeu apoio de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Nunes Marques e do ministro aposentado Roberto Barroso. 

Já André Mendonça divergiu, assim como Rosa Weber, que votou antes de se aposentar.

O Supremo também determinou que beneficiários não podem ser cobrados por valores recebidos com base em decisões judiciais, provisórias ou definitivas, expedidas até 5 de abril de 2024, data da publicação da ata de julgamento.

O processo seguirá no plenário virtual até 25 de novembro de 2025, quando o resultado será formalizado.

Entendimento revisto pelo Supremo

A mudança representa uma reviravolta em relação a 2022, quando o STF considerou constitucional a revisão da vida toda. 

A Corte agora avalia que essa constitucionalidade impede que segurados escolham o modelo de cálculo mais vantajoso.

Esse recuo ocorreu após a apresentação de diversas ações judiciais por beneficiários do INSS, muitos deles com decisões favoráveis em 1ª Instância, baseadas no entendimento anterior.

Com a nova definição, os aposentados seguem as regras do fator previdenciário, sem possibilidade de optar por um cálculo que inclua contribuições anteriores a 1994, ano de implementação do Plano Real. Essas parcelas haviam sido retiradas do cálculo desde a reforma da Previdência de 1999.

Reviravolta em 2024

Em março de 2024, o Supremo já havia derrubado o entendimento que permitia a revisão da vida toda. 

Naquele momento, a Corte reverteu a maioria formada em 2022 e deu vitória à União, retirando dos aposentados a chance de escolher o cálculo mais vantajoso.

A nova posição do STF encerra um ciclo de debates iniciado há anos e consolida o entendimento atual sobre o cálculo das aposentadorias do INSS. Com isso, os segurados passam a seguir definitivamente as regras vigentes, enquanto o julgamento no plenário virtual apenas formalizará o resultado já definido pela maioria.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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