quinta-feira,
1 de janeiro de 2026

Futuro do Simples Nacional e do MEI na Reforma Tributária

A Reforma traz mudanças operacionais, novas opções de recolhimento e projetos em debate que podem alterar limites de faturamento

A estruturação da nova Reforma Tributária brasileira traz um alento para milhões de empreendedores ao confirmar a manutenção do Simples Nacional e do Microempreendedor Individual (MEI). 

No entanto, a preservação desses modelos não significa imobilidade. O novo sistema, pautado pela criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), introduz dinâmicas operacionais inéditas e abre caminho para uma modernização fiscal que exigirá maior rigor administrativo dos pequenos negócios.

A transição para este novo modelo terá início em 2026, com um período de convivência entre os tributos atuais e os novos impostos de valor agregado (IVA).

Durante este ciclo, as empresas do Simples Nacional enfrentarão uma mudança estratégica fundamental: a possibilidade de optar, semestralmente, pelo recolhimento do IBS e da CBS através do regime regular. 

Esta medida visa solucionar um dos principais gargalos do modelo atual, permitindo que micro e pequenas empresas gerem créditos tributários para seus clientes. Um fator decisivo para manter a competitividade em cadeias produtivas complexas.

Novas categorias e maior rigor fiscal

No universo do empreendedorismo individual, a reforma não apenas mantém o MEI, como expande o leque de atuação com a oficialização do “Nanoempreendedor”. 

Esta nova categoria é voltada a profissionais com faturamento anual de até R$ 40,5 mil, garantindo-lhes isenção total de IBS e CBS. Em contrapartida ao suporte tributário, o governo sinaliza um aumento no controle fiscal. 

A emissão de nota fiscal eletrônica vai se tornar gradualmente obrigatória, inclusive para vendas a pessoas físicas. As novas resoluções já determinam que receitas recebidas via CPF sejam somadas ao faturamento do CNPJ para fins de enquadramento, fechando brechas para a omissão de rendimentos.

Novas propostas em debate

Enquanto as regras de transição e as novas categorias já estão consolidadas no texto da Reforma, o Congresso Nacional ainda se debruça sobre temas sensíveis que podem alterar profundamente o teto de gastos do setor.

Entre os projetos mais aguardados está o chamado “Super MEI”. Este propõe elevar o limite de faturamento anual dos atuais R$ 81 mil para R$ 144 mil.

Paralelamente, discute-se a atualização automática dos limites de enquadramento pelo IPCA, uma demanda histórica para corrigir a defasagem inflacionária acumulada desde 2018. 

Embora essas propostas gozem de forte apelo político, elas ainda dependem de aprovação legislativa e sanção presidencial, permanecendo, por ora, apenas no campo das expectativas.

Desafios de adaptação

Para o setor contábil e para os próprios gestores, o cenário pós-reforma exigirá uma postura analítica. A decisão de permanecer integralmente no Simples ou migrar parte do recolhimento para o regime regular dependerá de um cálculo minucioso de custos e benefícios. 

Assim, o que se desenha para 2026 em diante é um ambiente de maior transparência e formalidade. Onde a facilidade burocrática dos regimes simplificados coexistirá com uma fiscalização mais integrada e digitalizada.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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