sexta-feira,
30 de janeiro de 2026

Receita nega monitorar transações por Pix e pagamentos por aproximação

Informações falsas que circulam em redes sociais sugerem fiscalização em tempo real e cobrança automática de impostos

O avanço das modalidades de pagamento instantâneo e por aproximação no Brasil voltou a ser alvo de uma onda de desinformação no início de 2026. 

Mensagens e vídeos compartilhados em plataformas digitais afirmam, erroneamente, que a Receita Federal passou a monitorar individualmente cada transferência via Pix e pagamentos por tecnologia de aproximação, com o objetivo de aplicar tributação automática sobre as movimentações. 

As autoridades financeiras, no entanto, negam qualquer mudança nas regras de fiscalização.

Origem do boato 

A circulação dessas notícias falsas ganhou força após a manipulação de reportagens televisivas datadas de janeiro de 2025. 

O conteúdo original, que tratava de normas operacionais padrão, foi editado e retirado de contexto para sugerir que o Governo Federal teria implementado um novo sistema de controle sobre o cotidiano financeiro dos cidadãos.

De acordo com o Banco Central, instituição responsável pela gestão do Pix, não houve a criação de nenhum dispositivo que permita o acompanhamento em tempo real de quem envia ou recebe valores. O sistema permanece operando sob as mesmas diretrizes de segurança e privacidade estabelecidas desde o seu lançamento.

Sigilo bancário e limites da fiscalização

Juridicamente, o sigilo bancário é protegido pela Lei Complementar nº 105/2001. Na prática, isso significa que:

  • Dados Consolidados: As instituições financeiras informam à Receita Federal apenas o volume global movimentado pelas contas, sem detalhar a origem, o destino ou o motivo de cada transação individual.
  • Exceções Judiciais: O acesso detalhado a extratos e transferências específicas só ocorre mediante ordem judicial, geralmente restrita a investigações de crimes graves, como lavagem de dinheiro ou financiamento ao terrorismo.

Pagamentos por aproximação

A tecnologia de aproximação (NFC) também consta nas narrativas de desinformação. Assim como o Pix, os pagamentos que ocorrem via cartões ou dispositivos móveis não possuem uma camada de fiscalização tributária distinta das compras tradicionais. 

O processamento desses dados segue o fluxo padrão entre adquirentes e bancos, sem interferência direta do Fisco no ato da compra.

Orientações ao contribuinte

Especialistas recomendam cautela ao consumir conteúdos sobre finanças em aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram. A orientação é verificar a data das publicações e buscar fontes oficiais, como os portais do Banco Central e da Receita Federal.

Até o momento, não há previsão legal para a criação de impostos sobre transações via Pix ou novas obrigatoriedades de declaração individual para estas modalidades. 

As regras para a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda permanecem baseadas na renda total acumulada. Além dos limites de isenção estabelecidos pela legislação vigente.

Compartilhe:

Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

Notícias relacionadas

Mais lidas da semana

App O Trabalhador