quinta-feira,
5 de fevereiro de 2026

CPMI do INSS adia depoimento do dono do Banco Master

CPMI do INSS adia depoimento do dono do Banco Master para 19 de fevereiro e decide ouvir presidente do INSS sobre contratos de crédito consignado

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS decidiu adiar o depoimento de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A oitiva, que ocorreria nesta quinta-feira (5), foi remarcada para o dia 19 de fevereiro, após solicitação da defesa do banqueiro.

Segundo o presidente da comissão, Carlos Viana, o adiamento foi motivado por um problema de saúde apresentado pela defesa. 

Em contrapartida, os advogados se comprometeram a não recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir o direito de silêncio ou a dispensa do comparecimento.

“Segundo eles [defesa], ele não poderia por um problema de saúde”, afirmou o senador.

CPMI ouvirá presidente do INSS no lugar de Vorcaro

Com a mudança de data, a CPMI do INSS deve ouvir nesta quinta-feira o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.

O objetivo é esclarecer como o órgão tem atuado em relação aos contratos de empréstimo consignado ligados ao Banco Master e quais providências estão sendo adotadas diante das irregularidades apontadas.

Ministro do STF libera depoimento e compartilha inquérito

Na terça-feira (3), Carlos Viana se reuniu com o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga o Banco Master no STF.

De acordo com o presidente da CPMI, o ministro concordou com a liberação de Daniel Vorcaro para prestar depoimento à comissão. Toffoli também se comprometeu a repassar parte do inquérito para análise dos parlamentares.

Foco da investigação são contratos de crédito consignado

Apesar da repercussão do caso envolvendo o Banco Master, a CPMI informou que irá concentrar os trabalhos apenas nos contratos de empréstimo consignado firmados pela instituição.

Segundo o senador Carlos Viana, cerca de 250 mil contratos do banco foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação documental.

“Ele [Vorcaro] terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e, se tantas pessoas que não tinham comprovação, como os descontos ocorreram sem autorização”, declarou o parlamentar.

A comissão também pretende questionar o banqueiro sobre quais medidas foram adotadas para devolver valores a clientes prejudicados.

Banco Master

Dados enviados pela Senacon à CPMI mostram um aumento expressivo de reclamações contra o Banco Master nos últimos anos relacionadas a crédito consignado.

O banco ocupou a 21ª posição no ranking de queixas entre 2019 e 2025, com 5.665 registros no total.

A evolução das reclamações foi a seguinte:

  • 2019: nenhuma reclamação
  • 2020: 11 registros
  • 2021: 76 reclamações
  • 2023: 1.511 queixas
  • 2024: 2.472 registros

Com esse volume, o Banco Master superou instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BRB no número de reclamações sobre consignados no último ano de 2025.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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