terça-feira,
17 de março de 2026

Gastos com saúde exigem cautela redobrada no IR. Veja os riscos da malha fina

Digitalização de recibos e cruzamento automático de dados entre médicos e pacientes elevam o rigor do Fisco sobre as deduções de saúde em 2026

Com a divulgação das novas diretrizes para a declaração do Imposto de Renda 2026 nesta segunda-feira, dia 16, os contribuintes devem redobrar a atenção com os gastos em saúde. 

Dados oficiais indicam que as inconsistências em despesas médicas já representam a maior causa de retenção de documentos pelo fisco, superando problemas tradicionais como a omissão de rendimentos.

Atualmente, cerca de um terço das declarações retidas para verificação apresentam divergências nessa categoria. 

O fenômeno é impulsionado pelo fato de os gastos médicos não possuírem um teto de dedução, o que atrai tanto erros de preenchimento quanto tentativas de fraude, acionando os alertas dos sistemas de controle.

Cerco digital e o cruzamento de dados

O aumento na fiscalização reflete o aprimoramento tecnológico da autoridade tributária. O cruzamento de informações ocorre de forma automática por meio de bases de dados que conectam hospitais, clínicas, instituições financeiras e profissionais liberais.

Um fator determinante para o cenário de 2026 é a consolidação do sistema de recibos eletrônicos.

Desde o início do ano passado, profissionais de saúde que atuam como pessoa física são obrigados a emitir comprovantes digitais que vinculam diretamente o CPF do paciente ao do prestador de serviço. Essa integração torna o rastreamento imediato, dificultando a inclusão de despesas inexistentes.

Como evitar a retenção da declaração

Especialistas alertam que a responsabilidade sobre a veracidade dos dados é exclusiva do contribuinte, mesmo quando se utiliza o modelo de declaração pré-preenchida. Para evitar dores de cabeça com o fisco, algumas medidas são fundamentais:

  • Documentação rigorosa: Exigir sempre nota fiscal ou recibo eletrônico e conferir se os valores e CPFs estão corretos.
  • Rastro financeiro: Além dos recibos, é prudente guardar comprovantes de pagamento, como registros de transferências bancárias, cartões ou transações via Pix.
  • Divergência de informações: Caso o profissional de saúde não registre o atendimento em seus sistemas, o contribuinte que declarar o gasto cairá automaticamente em um filtro de conferência. Nessas situações, possuir a prova documental do pagamento é a única forma de liberar a declaração.

A recomendação geral é de que todos os comprovantes sejam armazenados por, no mínimo, cinco anos, garantindo segurança jurídica caso o cidadão seja convocado a prestar esclarecimentos.

Apenas gastos com saúde que possuam correspondência no sistema da Receita devem ser declarados. Medicamentos em farmácias, vacinas (fora de clínicas) e procedimentos estéticos sem finalidade reparadora não são dedutíveis.

  Verifique se as informações lançadas coincidem com os recibos emitidos pelo prestador de serviço através do sistema, usando o portal e-CAC.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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