segunda-feira,
20 de abril de 2026

Zema propõe mudança no Bolsa Família; entenda proposta

Zema propõe mudanças no Bolsa Família e exige trabalho de beneficiários; veja detalhes da proposta e dados sobre o programa

O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quinta-feira (16) que pretende alterar regras do Bolsa Família caso seja eleito. 

A proposta inclui exigir que parte dos beneficiários aceite ofertas de trabalho ou corra o risco de perder o benefício.

O posicionamento foi apresentado durante um evento em São Paulo, onde Zema lançou diretrizes de seu plano de governo com o tema “O Brasil sem intocáveis”.

O que diz a proposta de Zema sobre o Bolsa Família

Entre os pontos defendidos, o pré-candidato afirmou que homens adultos, jovens e saudáveis que recebem o benefício devem ser obrigados a trabalhar.

“Existem vagas hoje que não são preenchidas por causa de como o Bolsa Família está desenhado”, declarou.

 “Marmanjões de 20, 30 anos, o dia todo deitado no sofá, jogando videogame, na rede social. Emprego tem. Eu vou fazer quem recebe Bolsa Família e é do sexo masculino, novo, saudável, ser obrigado a aceitar propostas de emprego. Ou então ter o benefício cortado“, continuou Zema.

Ele também sugeriu que, na ausência de emprego formal, os beneficiários possam atuar de forma voluntária nas prefeituras.

“Não todo dia, mas um ou dois dias por semana. E também terá que concluir um curso”, finalizou.

Propostas econômicas do plano de governo

Além das mudanças no programa social, o plano apresentado por Zema prevê:

  • Redução de gastos públicos
  • Diminuição de impostos
  • Ampliação de investimentos privados em infraestrutura

O pré-candidato afirmou que essas medidas poderiam gerar até 500 mil empregos em curto prazo.

Outra diretriz defendida é a privatização de empresas estatais. O economista Carlos da Costa, responsável pela área econômica do plano, afirmou que a proposta é “privatizar tudo”.

Contraste com a gestão em Minas Gerais

As propostas apresentadas também foram comparadas com a atuação de Zema no governo de Minas Gerais. Ele assumiu o cargo em 2019 com a promessa de privatizar estatais.

No entanto, após quase oito anos de gestão, não houve a venda de empresas como Cemig, Copasa e Gasmig.

O que mostram os dados sobre o Bolsa Família

Estudos e dados oficiais indicam que a maioria dos beneficiários do programa está inserida no mercado de trabalho.

Emprego entre beneficiários

Segundo dados do Governo Federal de 2024:

  • Cerca de 13,4 milhões de beneficiários estão trabalhando, de forma formal ou informal
  • 56,2% das contratações com carteira assinada naquele ano foram de pessoas que recebem o benefício

Os números apontam o programa como uma forma de apoio enquanto o trabalhador busca estabilidade.

Efeito sobre o mercado de trabalho

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o Bolsa Família não reduz a disposição para trabalhar, mas influencia o tipo de vaga aceita.

Com o benefício, trabalhadores em situação de vulnerabilidade passam a recusar empregos com condições precárias ou salários muito baixos.

Jovens e educação

Pesquisas recentes, como as da FGV IBRE em 2025, identificam uma leve redução na entrada de homens jovens no mercado de trabalho em algumas regiões.

O estudo indica que parte desse grupo utiliza o benefício para investir em qualificação antes de buscar emprego.

Dados do Banco Mundial

Estudos do Banco Mundial e de universidades brasileiras indicam que o valor médio do Bolsa Família, entre R$ 670 e R$ 700, não é suficiente para manter uma família com conforto.

Na prática, o benefício funciona como complemento de renda para cobrir despesas básicas, mantendo a necessidade de buscar outras fontes de sustento.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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