Uma das novidades mais comentadas do Imposto de Renda em 2026 é o sistema de restituição automática, carinhosamente apelidado pelo Fisco de “cashback”.
A medida visa alcançar o cidadão que não era obrigado a prestar contas em 2025, mas que, devido a retenções na fonte ao longo de 2024, acabou pagando mais imposto do que deveria. Agora, o governo se organiza para devolver esses valores de forma proativa.
O benefício é voltado especificamente para quem estava dispensado da declaração no ano anterior. A Receita Federal identificou que milhões de brasileiros deixam de receber valores legítimos por não conhecerem o processo ou por não terem obrigatoriedade de entrega.
O pagamento deste lote especial de “cashback” já tem data marcada: será depositado no dia 15 de julho de 2026.
Regras para o recebimento e consulta
Para garantir o crédito na conta, o contribuinte precisa cumprir requisitos básicos de regularidade. É necessário estar com o CPF em situação regular, não possuir pendências diretas com a Receita e, fundamentalmente, ter uma chave Pix vinculada ao próprio CPF.
A estimativa é que cerca de 4 milhões de pessoas sejam contempladas, com depósitos que variam de R$ 125 até o teto de R$ 1.000 por beneficiário.
A verificação do direito ao recurso pode ser feita de maneira simples pelos canais digitais do órgão. Através do aplicativo Meu Imposto de Renda, do Portal e-CAC ou do site oficial da Receita, na seção de consulta pública de restituições, o cidadão descobre se faz parte da lista.
Caso o contribuinte identifique que tem direito, mas não receba o valor em julho, poderá formalizar uma contestação via e-Processo no próprio portal.
Estratégia da antecipação
Apesar da facilidade do “cashback”, especialistas fazem uma ressalva importante sobre o tempo de espera.
Como o sistema automático opera com um atraso de um ano — ou seja, os pagamentos de julho referem-se ao ano-calendário de 2024 —, o cidadão acaba demorando mais para ver o dinheiro.
Quem optar por enviar a declaração voluntariamente, mesmo sem obrigatoriedade, consegue antecipar o recebimento para o próprio ano do exercício.
Para quem está realizando a declaração de 2026 (referente aos rendimentos de 2025), o prazo final para envio é 29 de maio.
Aqueles que se apressarem podem entrar no cronograma regular de restituições, que começa a pagar os lotes já no final de maio, evitando a espera pelo sistema de “cashback” que, para o exercício atual, só ocorrerá em 2027.
Cronograma e prioridades da restituição regular
Para os contribuintes que entregarem a declaração dentro do prazo, o calendário de restituição segue um fluxo mensal entre maio e agosto. O governo espera que a grande maioria dos beneficiários — cerca de 80% do total — receba seus valores já nos dois primeiros lotes, encerrando o semestre com as contas em dia.
A ordem dos pagamentos respeita as prioridades legais, beneficiando primeiro idosos acima de 80 anos, seguidos por contribuintes a partir de 60 anos, pessoas com deficiência e professores.
Além dos grupos prioritários, quem utiliza a declaração pré-preenchida ou escolhe o Pix (chave CPF) para o recebimento também ganha agilidade na fila, garantindo o dinheiro no bolso de forma mais rápida.