A transição tecnológica na fiscalização do Imposto de Renda de 2026 tem gerado dor de cabeça para milhares de brasileiros.
Neste ano, a Receita Federal aposentou definitivamente a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF) e passou a cruzar os dados dos contribuintes diretamente pelo e-Social e pela EFD-Reinf.
A mudança, no entanto, expôs falhas no envio de dados por parte das empresas, que agora precisam alimentar o sistema mensalmente com informações trabalhistas e tributárias muito mais detalhadas.
Essas inconsistências ocorrem quando os dados enviados pela empresa ao fisco não batem com o que foi entregue ao funcionário no informe de rendimentos.
Entre os erros mais frequentes detectados pela Receita estão a classificação incorreta do 13º salário como tributação comum e equívocos sobre o mês exato em que o pagamento entrou na conta do trabalhador.
O resultado é imediato: o sistema trava o processamento e retém a declaração na malha fina por divergência de valores.
Como o contribuinte deve agir
A recomendação para quem ainda não entregou o documento é manter a cautela. O trabalhador deve priorizar as informações contidas no informe de rendimentos oficial fornecido pelo empregador.
Caso note que os dados da declaração pré-preenchida estão diferentes do documento físico, o cidadão deve procurar imediatamente o setor de Recursos Humanos da empresa para que a fonte pagadora realize a correção no sistema.
Para aqueles que já enviaram a declaração e caíram na malha fina, a ação depende do erro. Se a empresa corrigir as informações no sistema, a pendência do trabalhador é solucionada automaticamente pelo fisco em cerca de uma semana.
No entanto, se o empregador emitir um novo informe de rendimentos com valores atualizados, o contribuinte terá que enviar obrigatoriamente uma declaração retificadora para regularizar sua situação.
Monitoramento e prazos
A Receita Federal já mapeou o gargalo e está cobrando diretamente as empresas que apresentam os maiores índices de falhas. Segundo o órgão, um grupo de apenas 100 empregadores foi responsável por reter cerca de 100 mil contribuintes na malha fina logo nas primeiras semanas.
O fisco projeta receber 44 milhões de declarações em 2026, sendo que mais de 14 milhões já foram entregues até o momento.
Os contribuintes têm até o dia 29 de maio para prestar contas sem o pagamento de multa. Vale lembrar que, além da atenção redobrada aos rendimentos, este ano os declarantes precisam informar obrigatoriamente saldos em contas de apostas online e observar as novas regras de cashback.
Isso torna o acompanhamento do status da declaração no portal e-CAC ainda mais essencial para evitar atrasos na restituição.