sexta-feira,
27 de fevereiro de 2026

Casal deve declarar o Imposto de Renda 2026 em conjunto ou separado?

Descubra como a escolha entre a declaração conjunta ou individual pode impactar o valor da sua restituição ou do imposto a pagar

Muito em breve será dada a abertura da temporada de ajuste anual do Imposto de Renda em 2026, onde milhões de brasileiros casados ou em união estável enfrentam a clássica dúvida: é financeiramente mais vantajoso enviar uma declaração conjunta ou manter os envios separados? 

No cenário deste ano, marcado pela consolidação da reforma que ampliou a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil  mensais, a resposta exige um cálculo mais minucioso do que em anos anteriores.

A decisão entre unir os rendimentos em um único formulário ou seguir caminhos fiscais distintos não é apenas uma questão de conveniência, mas de estratégia financeira que pode resultar em uma economia significativa ou em um prejuízo desnecessário.

Quando declarar junto 

Historicamente, a declaração conjunta tende a ser benéfica em cenários de desigualdade financeira entre o casal. 

Se um dos parceiros possui uma renda alta enquanto o outro é dependente, não trabalha ou possui rendimentos baixos (dentro da faixa de isenção), a soma das rendas pode ser “amortecida” pelas deduções permitidas.

Ao declarar em conjunto, as despesas com saúde, educação e previdência privada de ambos podem ser abatidas de uma base de cálculo única. 

Em 2026, com o limite anual de dedução por dependente fixado em R$ 2.275,08, incluir o cônjuge como dependente pode baixar a alíquota efetiva do titular, especialmente se o parceiro tiver gastos médicos elevados, que no Brasil não possuem teto de dedução.

Declaração separada

Por outro lado, a declaração separada é, na maioria das vezes, a escolha lógica quando ambos possuem rendas tributáveis estáveis e similares. O sistema tributário brasileiro é progressivo: quanto maior a renda somada, maior a alíquota aplicada (que pode chegar a 27,5%).

Ao unir dois salários médios em uma única declaração, o casal corre o risco de “pular” para uma faixa de tributação muito superior à que estariam se declarassem individualmente. 

Com a nova regra de isenção de 2026, se cada cônjuge ganha até R$ 5 mil, ambos podem estar isentos ou pagar muito pouco imposto individualmente. 

Se somarem essas rendas para R$ 10 mil em uma declaração conjunta, o Leão passará a morder uma fatia considerável sobre o montante total, já que a soma ultrapassa o teto de isenção individual.

Filhos e bens

Um ponto importante para quem opta pela separação é a gestão dos dependentes. A regra é clara: um filho não pode figurar em duas declarações simultaneamente. 

Nestes casos, o ideal é que o dependente seja incluído na declaração do cônjuge que possui a maior renda tributável, onde o abatimento terá maior impacto proporcional na redução do imposto a pagar ou no aumento da restituição.

Quanto aos bens comuns, como imóveis adquiridos após o casamento, eles devem ser declarados integralmente em apenas uma das declarações (se o casal declarar separado) ou na declaração conjunta. 

O importante é manter a consistência com os anos anteriores para evitar cair na malha fina por variação patrimonial não justificada.

Simulação é melhor caminho

Especialistas em contabilidade são unânimes: não existe uma regra de ouro que sirva para todos. O programa gerador da Receita Federal permite que o contribuinte preencha os dados e visualize, em tempo real, qual modelo (Simplificado ou Completo) e qual modalidade (Conjunta ou Separada) resulta em menor imposto.

Em 2026, com as novas alíquotas e o novo piso de isenção, o “clique” final só deve ser dado após o casal testar todas as combinações. 

O que era vantajoso em 2025 pode não ser mais agora, e a diferença, ao final do dia, pode significar o dinheiro de uma viagem de férias ou de um investimento importante para a família.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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