O contribuinte brasileiro deve preparar o bolso e a organização: embora a nova faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais já esteja em vigor nos contracheques desde janeiro de 2026, o benefício real só aparecerá no acerto de contas com o Leão em 2027.
Para a declaração de 2026, que começa nos próximos dias, as regras ainda seguem os parâmetros do ano-calendário 2025.
Receita oficializará regras no dia 16
A Receita Federal confirmou que oficializará todas as normas, prazos e o programa gerador da declaração do IRPF 2026 na próxima segunda-feira, 16 de março.
A coletiva de imprensa, marcada para as 10h no Ministério da Fazenda, detalhará os limites de obrigatoriedade e as datas exatas para o envio, que deve se estender até o final de maio.
Quem precisa declarar IR em 2026?
Até que se mude algo, devem entregar a declaração em 2026 os cidadãos que, em 2025:
- Receberam rendimentos tributáveis (salário, aposentadoria, aluguel) acima de R$ 33.888,00 no ano;
- Receberam rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil;
- Obtiveram receita bruta de atividade rural superior a R$ 169.440,00;
- Possuíam, em 31 de dezembro de 2025, posse ou propriedade de bens ou direitos (incluindo terra nua) com valor total superior a R$ 800 mil;
- Realizaram operações em bolsas de valores, de mercadorias ou de futuros cuja soma superou R$ 40 mil, ou obtiveram lucro sujeito à incidência do imposto.
Impacto da isenção de R$ 5 mil
A isenção de R$ 5 mil sancionada pelo governo altera a retenção do imposto na fonte (direto no salário) a partir de janeiro de 2026.
Na prática, isso significa que muitos trabalhadores que hoje não veem o desconto do IR no holerite ainda serão obrigados a declarar agora em 2026, pois no ano passado (ano-base 2025) seus rendimentos ainda estavam sob a regra anterior, que previa isenção apenas para quem ganhava até dois salários mínimos (cerca de R$ 3.036,00 com as deduções).
Especialistas alertam que a dispensa do pagamento mensal não elimina a necessidade de manter registros fiscais. Recibos médicos, escolares e comprovantes de compra e venda de bens realizados em 2025 devem ser reunidos imediatamente para o envio que se inicia, provavelmente, na próxima semana.
Principais documentos para o IR 2026
A documentação básica para o preenchimento da declaração em 2026 é:
- Informes de Rendimentos: Fornecidos pela empresa onde você trabalha (salários) e pelo INSS (se for aposentado).
- Informes Bancários: Extratos anuais fornecidos pelos bancos e corretoras com saldos e rendimentos de investimentos.
- CPF de Dependentes: Certifique-se de ter o número do CPF de todos os dependentes, inclusive crianças e recém-nascidos.
- Recibos de Saúde: Notas fiscais de consultas médicas, dentistas, exames e mensalidades do plano de saúde.
- Comprovantes de Educação: Recibos de mensalidades escolares ou faculdade (próprias ou de dependentes).
- Dados de Bens: Documentos de compra/venda de veículos ou imóveis ocorridos em 2025 (incluindo número do Renavam ou Matrícula no Cartório).
Por fim, se você tiver conta Gov.br nível prata ou ouro, poderá usar a Declaração Pré-Preenchida. Ela já puxa quase todos esses dados automaticamente, mas é fundamental ter os documentos físicos para conferir se os valores batem.